Marketing sem ideologia

José Paulo Kupfer

23 de janeiro de 2009 | 14h26

Deu no New York Times: a apresentação dos supersrtars da música erudita Itzhak Perlman e Yo-Yo Ma, na cerimônia de posse de Barack Obama, foi um playback. Os dois astros, que formaram um quarteto com a pianista Gabriela Montero e o clarinetista Anthony McGill, encenaram a execução do que haviam gravado dois dias antes.

A explicação dos organizadores do evento é que eles não quiseram arriscar, diante do frio e do vento previsto para o dia da posse. As condições do tempo, segundo os organizadores, poderiam danificar os instrumentos.

Beleza. O problema é que ninguém avisou que a apresentação seria uma encenação. Os organizasdores alegam que o pool de TV que transmitiu a posse foi avisado da possilidade. Mas não houve comunicação da realidade. Além da gravação, os instrumentos com os quais os artistas encenaram a apresentação também não eram os que eles utilizam nos concertos ao vivo.

Assim, como tantos artistas que, cada vez mais, preferem o certo de um playback ao incerto de um show verdadeiro, os astros da música clássica se juntaram à menina chinesa que “cantou” na cerimônia dos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano passado, com a voz de outra.

A moral da história é que, na hora de fazer marketing, capitalismo e comunismo “flexibilizam” igualmente a ética.

Ah, a banda dos fuzileiros navais e o coro de crianças, que também se apresentaram na posse de Obama, dispensaram playback.

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