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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Momento favorável

José Paulo Kupfer

26 de abril de 2012 | 12h18

Os números da evolução do crédito em março, agora divulgados pelo Banco Central, “falam” de um passado bem recente, mas também já bem distante. Apurados até meados de abril, esses números não refletem as alterações deflagradas logo em seguida, com uma ação mais agressiva dos bancos públicos e, mesmo com relutância, acompanhada pelos bancos privados.

Em março, as taxas de juros, na média das principais modalidades de financiamento, tiveram ligeiro recuo. Também a inadimplência recuou ligeiramente – trata-se do primeiro recuo desde dezembro de 2010 –, exceto no financiamento de veículos, em que os atrasos atingiram um recorde de 5,7% do total de operações. .

A partir de meados de abril, com o anúncio da nova estratégia do governo, o ambiente para o crédito – que envolve níveis de taxas efetivas de juros, spreads bancários, trajetória da inadimplência, volume de oferta de linhas e demanda por financiamento – passou a viver uma dinâmica diferente, cujos impactos só serão conhecidos mais à frente. De todo modo, o resultado de março mostra que a ação do governo, na tentativa de forçar a redução dos spreads bancários, via pressão competitiva do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, teve início em momento relativamente propício.

A evolução positiva do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), na passagem de março para abril, captada em pesquisa sistemática pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (FGV-RJ), por exemplo, se deve a uma percepção generalizada de melhoria futura nas condições financeiras dos brasileiros. Segundo os autores do levantamento, depois de altas no endividamento e na inadimplência em fins do ano passado, os consumidores estão conseguindo reorganizar as contas domésticas e equilibrar as finanças.

Vilã dos spreads escorchantes no passado recente, a inadimplência dá sinais de arrefecimento e essa perspectiva enseja a abertura de espaços maiores para exercícios de corte nas taxas dos financiamentos. A própria redução dos custos dos empréstimos é, em si mesma, fator de alívio sobre os índices de inadimplência.

Com a reintrodução, na base da pressão governamental, de um elemento de competição no mercado de crédito, aumentou, naturalmente, o volume de informações sobre as condições de crédito. Pode-se, assim, prever uma aceleração nos movimentos de renegociação de dívidas, incluindo a transferência de contratos para outros bancos, com redução de custos para os clientes e esvaziamento do potencial de atraso nos pagamentos.

O significado de tudo isso é que, se o ambiente favorável se mantiver, alargaram-se as chances de que a redução dos custos financeiros em geral se revele mais duradoura, avançando além dos oportunismos políticos e mercadológicos.

 

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