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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Na fronteira dos 6%

José Paulo Kupfer

13 de março de 2014 | 11h14

A variação da inflação medida pelo IPCA, em fevereiro, um pouco acima das estimativas medianas dos analistas, não chegou a mudar o padrão da trajetória recente do índice. Em relação a janeiro, quando o IPCA avançou 0,55% sobre dezembro, reduzindo quase pela metade o ritmo do último mês do ano sobre novembro, a retomada de alta, no mês passado, foi relativamente suave.

Mas, se o resultado do mês passado não produziu alarmes no termômetro inflacionário, é a partir de março que o IPCA escalará uma trajetória mais pressionada, que se estenderá ao longo do ano. Os efeitos da forte estiagem deste verão produziram um choque de oferta que já afeta os índices no atacado e, essas altas, inevitavelmente, chegarão aos índices ao consumidor. Não há, de fato, projeção abaixo de 0,7% para a evolução do IPCA em março e algumas chegam a ultrapassar a marca de 0,8%. Possivelmente o índice de março será o mais alto do ano.

Enquanto o item “alimentos e bebidas”, em fevereiro, ainda recuou sobre janeiro, as perspectivas são de forte escalada neste mês. É possível que o ritmo de elevação dos preços desse grupo dobre em março, na comparação com fevereiro, configurando a principal pressão inflacionária do período.

Em fevereiro, esse papel de principal vilão da alta de preços ficou, como esperado – e como ocorre todos os anos -, com o grupo “educação”. Este, porém, é um efeito delimitado no tempo, sazonalmente previsto. Assim, já em março, o item deverá contribuir, com elevação abaixo da registrada em fevereiro, para suavizar a alta da inflação.

Se confirmada a alta projetada pelos analistas para o IPCA de março, o índice, em 12 meses, galgará a casa dos 6%. Mesmo com a redução prevista nas altas mensais, a partir de abril, a inflação, em 12 meses, se alojaria um pouco acima desses 6% no restante de 2014. Com grandes possibilidades de que supere o teto da meta de inflação, fixado em 6,5% ao ano, no mês de julho, permanecendo no limite do teto até setembro, para fechar o ano no entorno de 6%.

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