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Nem mais os bois dormem com as explicações para os movimentos cambiais

José Paulo Kupfer

04 de novembro de 2015 | 20h45

Em estreitos dois dias, a cotação do dólar recuou mais de 2% e devolveu metade da queda. Falar em “fundamentos” econômicos, como muitos gostam, numa oscilação dessa magnitude, não faz o menor sentido. Se fazem jus ao nome, “fundamentos” são bases que, por definição, não podem mudar da noite para o dia. Não existe, falando claro, fundamento que sustente uma alta de 2% num único dia, nem um queda de quase 1%, no dia seguinte.

 

Não há, igualmente, discurso de presidente do Federal Reserve que explique o fenômeno. Janet Yellen continua há meses, muitos meses, sinalizando o início da alta dos juros americanos para o próximo mês, mas ressalvando que pode ser que isso não aconteça tão cedo. A historieta se repetiu no dia em que as cotações voltaram a subir. Mas, vamos ser sinceros, quem, no mercado, já não precificou essa retomada bem gradual e suave dos juros americanos?

Não vale a pena perder tempo com as outras explicações. Melhora na balança comercial, para justificar a alta de terça, ou fluxo negativo de dólares em outubro, para sustentar a baixa de quarta, tudo isso é sabido. As tendências estão bem delineadas e nem mais os bois dormem com essas explicações.

Há, porém, uma explicação, geralmente oculta, nessas oscilações quase permanentes, que remete a uma anomalia no mercado cambial. A taxa de câmbio, no Brasil, diferentemente do resto do mundo, é formada no mercado futuro que, por arbitragem, define a cotação à vista. Neste mercado, o volume diário negociado é um infinitésimo do que é movimentado no mercado futuro.

Pode ser surpreendente — até chocante — saber que, enquanto o mercado à vista é apenas o vigésimo quinto do ranking mundial por volume diário, o mercado futuro é vice-líder global, somente atrás do americano.Tão desregulado e poroso quanto é rígido o mercado à vista, o mercado futuro é o paraíso dos especuladores de moedas.

É essa assimetria –, legado dos tempos de anemia de divisas internacionais e, portanto, da exigência de atrais capitais externos a qualquer preço –, a explicação para as fortes oscilações cambiais, que fazem do real uma das moedas emergentes que mais se desvalorizam nas ondas de valorização global do dólar — e mais se valorizam, embora isso pouco seja divulgado, nas ondas de desvalorização da moeda americana.

São muitas as explicações repassadas por operadores de mercado que não explicam as oscilações sempre intensas das cotações do dólar no País. E é difícil explicar porque uma das melhores explicações para o fenômeno não aparece na longa lista que eles oferecem.

 

 

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