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Neoliberalismo em marcha

José Paulo Kupfer

18 de fevereiro de 2008 | 07h30

Mais uma da série “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”, assim de exemplos, nos últimos tempos. Depois dos valentes e ainda não encerrados cortes nos juros, mesmo diante de um quadro de pressões inflacionárias óbvias, e da injeção na economia de dinheiro público em quantidade oceânicas, mesmo na presença de um largo déficit fiscal, como se tem visto nos Estados Unidos, chegou agora a vez de a Grã-Bretanha mostrar que o mercado faz o que precisa ser feito para salvar a própria pele, sem maiores considerações ideológicas ou de princípios.

Em pleno domingo, dia normalmente reservado ao descanso no mundo ocidental, o governo britânico anunciou a estatização do Northern Rock, um popular banco hipotecário que começou a naufragar no ano passado, atingido pela crise dos créditos de alto risco nos Estados Unidos. Para assegurar os direitos dos cotistas do Northern Rock, conforme promessa oficial, o governo britânico terá de garantir créditos de US$ 100 bilhões. Essa era uma pedra já cantada. Há cinco meses o governo – que já torrara US$ 50 bilhões em injeções de recursos no banco – vinha analisando propostas privadas de aquisição do Northern Rock. Mas o desfecho, mesmo esperado, não deixa de ser emblemático.

“Nas atuais condições do mercado”, disse Alistair M. Darling, chancellor of the exchequer (equivalente ao nosso ministro da Fazenda), “as ofertas privadas existentes de absorção da instituição não seriam suficientes para cobrir as perdas”. Míster Darling, ora, ora, apressou-se em assegurar que a estatização seria “temporária”. No fim das contas, o temor de que uma quebra do Northern Rock contaminasse o sistema bancário inglês como um todo falou mais alto.

O Northern Rock vinha balançando desde setembro, quando milhares de investidores começaram a formar longas filas nas agências para retirar suas aplicações. De lá para cá, as ações do banco registraram perdas acumuladas de 87%.

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