No rumo da “recessão técnica”

José Paulo Kupfer

22 Maio 2015 | 12h29

A variação do IBC-Br em março, divulgada nesta quinta-feira, pelo Banco Central, apontando retração no primeiro trimestre de 2015 mais forte do que o projetado por analistas, reforça a convicção de que a economia brasileira vive um período de acentuado encolhimento. Divergências sobre os números oficiais da contração do PIB no período, previstos para serem anunciados pelo IBGE na próxima semana, se restringem ao grau do recuo

Com dois meses do segundo trimestre praticamente vencidos, as estimativas para o desempenho da economia no intervalo abril-junho sinalizam um aprofundamento da retração. Ao fim do primeiro semestre, aqueles que se contentam com o critério de queda no PIB em dois trimestres consecutivos para determinar o estado de “recessão técnica” de uma economia, vão dispor de base para assim classificar a situação brasileira.

Quase todos os setores econômicos registram recuos, neste momento. A queda é mais pronunciada na construção civil, mas também atinge a indústria, o comércio varejista e já afeta os serviços, setor até aqui mais resistente à baixa. Essa situação de esfriamento da atividade econômica finalmente passou a ser retratada pelo mercado de trabalho, com aumentos na taxa de desemprego pela combinação de demissões com avanço na procura por emprego.

O terceiro trimestre, de acordo com as projeções, ainda será de retração, porém mais branda. A estabilidade prevista para os últimos três meses do ano marcaria o início de uma recuperação nem acentuada nem rápida. Uma curva na forma de “L” seria o desenho mais provável para o comportamento da economia brasileira neste ano.