O “fator China”

José Paulo Kupfer

15 de dezembro de 2011 | 19h25

O departamento de pesquisas econômicas do Banco Itaú, um dos maiores e mais aparelhados do País, acaba de divulgar um relatório sobre o impacto dos movimentos da China nos mercados globais de commodities. Assinado pela economista Giovanna Siniscalchi, a análise confirma que a evolução da economia chinesa apresenta alta correlação com os preços internacionais de commodities, podendo afetar a economia brasileira, favorável ou desfavoravelmente, por diversos canais.

Segundo o estudo, para cada 1% de queda no crescimento econômico na China, os preços das commodities recuam 5,3%. Mas o comportamento da demanda chinesa, nos diversos grupos de commodities – agrícolas, metálicas e energéticas – mostra-se “bastante distinto”.

Entre os mais sensíveis a desacelerações na economia chinesa estão os metais industriais, do qual a China é, de longe, o maior importador mundial. Nesse mercado específico, há risco mais visível de queda nos preços, pela forte correlação positiva com a evolução do PIB, caso a expansão econômica da China reduza um pouco o passo, como se prevê.

O Brasil, que responde por 30% das exportações mundiais de minério de ferro, poderia se ver frente a uma redução de receitas de exportação, causada por esfriamento na demanda chinesa. Lembra o estudo que a redução da demanda pela China já provocou queda expressiva nos preços do minério, o que deverá se refletir na balança comercial brasileira em 2012.

“Com relação à energia e às commodities agrícolas”, ressalta o relatório, “o crescimento da população chinesa deve impulsionar ainda mais as importações de bens agrícolas ao longo dos próximos anos.” A conclusão é a de que o Brasil pode ser beneficiado neste cenário, uma vez que é um dos poucos países com oferta de terras e água suficiente para fazer frente a estímulos para um aumento relevante de produção.

Mas não se pode esquecer que a sustentação dos preços internacionais nesses dois mercados também pode promover pressões inflacionárias internas, derivadas do contágio transmitido pelos preços internacionais para os preços domésticos.

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