O BC abrandou

José Paulo Kupfer

31 de março de 2010 | 16h10

O Relatório Trimestral de Inflação, publicado nesta quarta-feira pelo Banco Central, veio mais manso do que tinha vindo a ata da reunião de março do Copom.

O documento explica porque o Copom decidiu, por 5 a 3, manter os juros básicos. A maioria dos membros do Copom considerou que será mais adequado alongar o período de ajuste da inflação à meta. As interpretações, a partir do Relatório de Inflação, são no sentido de que o BC não vai perseguir o centro da meta em 2010.

A indicação que o Relatório passa é a de que um repique mais forte nos juros básicos, na reunião do Copom de fins de abril, subiu no telhado. Em ano eleitoral, a decisão de evitar que a política monetária produza ruído mais estridente parece sensata e adequada.

Tem componente político e não apenas técnico numa eventual decisão sobre juros com essa embalagem? Pode ter. Mas, e daí? Existe alguém ingênuo o bastante para realmente acreditar na existência de decisões de política econômica estritamente técnicas?

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Aqui vai o vídeo sobre o tema que gravei com a colega Letícia Bragaglia, para a TV Estadão.

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