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O BC ficou refém do mercado

José Paulo Kupfer

11 de março de 2009 | 19h27

O mercado financeiro jogou o Banco Central no córner. Ao mesmo tempo em que se desenrolava a segunda parte da reunião do Copom, os investidores consolidaram um movimento que fez os juros futuros apontarem uma queda de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic. Em financês, se diz que o Banco Central ficou atrás da curva.

Em condições normais, o próprio BC tenta balizar as expectativas do mercado – por meio de discursos das autoridades, relatórios, atas etc. Assim, quando tudo dá certo na comunicação e o Copom toma sua decisão, ela já foi de antemão “referendada” pelo mercado.

O efeito prático disso vai além das tecnicidades do mundo financeiro. Se o Copom tivesse reduzido a Selic em menos de 1,5 ponto percentual nesta quarta-feira, provocaria uma quase automática elevação das taxas de juros futuras, que são referência para os empréstimos bancários. Seria um desastre absoluto diante de um cenário econômico que se mostra cada vez mais difícil.

Já houve ocasião, como em dezembro, por exemplo, em que o BC contrariou o mercado. Deu no que deu. Agora, com a histeria que se instalou depois dos resultados do PIB no quarto trimestre de 2008, não restou ao BC outra opção se não a de cortar a Selic para os 11,25% que o mercado queria.

Se a toada atual for mantida, o BC deve reduzir o juro básico para o menor nível da história do País em sua próxima reunião, que ocorre em fins de abril.
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Nem cinco minutos depois do anúncio da nova taxa básicas de juros, a assessoria de imprensa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) despachou um comunicado com críticas do presidente, Armando Monteiro Neto. Resumo do comunicado: “A  decisão de aumentar apenas marginalmente o ritmo de queda dos juros, para um ponto e meio de percentagem, frustra a sociedade, os agentes produtivos e a  indústria brasileira (…) “É necessário trazer a Selic para o nível de um dígito com tempestividade”.
 
Armando Monteiro faz política e joga para a platéia. Mas tem razão.

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