O copo, a passos lentos, vai ficando com água pela metade

José Paulo Kupfer

17 de setembro de 2010 | 17h24

A Síntese dos Indicadores Sociais, publicada nesta sexta-feira pelo IBGE, com base nos dados da PNAD-2009, mostra um retrato já conhecido da vida do brasileiro: a evolução é positiva, mas lenta e o quadro do momento em geral continua ruim – às vezes, muito ruim.

É um tipo de situação que pode ser classificada como a do copo com água pela metade. Dependendo de como se olha, o sentimento diante dos indicadores pode ser de esperança ou desalento.

A absurda desigualdade de renda – pessoal e regional – é, ela própria, uma barreira dramática a uma melhora mais acelerada nos indicadores sociais. O acesso à educação, por exemplo, que contribui para o ingresso no mercado de consumo e para uma desconcentração sustentada da renda, é também, como destaca o IBGE, função do rendimento familiar per capita.

Eis aí o fator que explica a lenta adequação dos níveis de escolaridade à idade dos cidadãos, num ambiente de crescente oferta de escolas e vagas. Principalmente na faixa de 15 a 17 anos, só metade dos estudantes se encontra no grau adequado, que é o ensino médio. No ensino médio, a taxa de abandono no Brasil permanece é maior entre os vizinhos sul-americanos, tão ou mais pobres, mas com menor desigualdade de renda.

Do mesmo modo, quando se comparam os indicadores educacionais para brancos, pretos e pardos, a redução das desigualdades entre os grupos é um fato, mas um fato ainda muito longe de uma situação minimamente aceitável. Em relação à média dos anos de estudo e ao acesso ao nível superior, pretos e pardos, em 2009, ainda não tinha alcançado os indicadores registrados por brancos dez anos antes.

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Minha conversa com a colega Letícia Bragaglia, na TV Estadão, gravada nesta sexta-feira, é sobre os indicadores sociais divulgados pelo IBGE.

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