Coluna

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O retrovisor pode enganar

José Paulo Kupfer

24 de outubro de 2011 | 18h18

O vizinho Estadão impresso tem acompanhado bem, com destaque para as reportagens da colega Márcia de Chiara, a marcha da desaceleração da economia, tomando o pulso diretamente dos setores e do emprego setorial. Neste sábado, por exemplo, o caderno de Economia deu destaque a um balanço das notícias recentes sobre o emprego. A conclusão é a de que a desaceleração do ritmo de atividades já estava causando elevação de estoques e acomodação no mercado de trabalho.

Constata-se que a freada em curso reduziu a perspectiva de contratação nas fábricas para o fim do ano e que a queda do emprego na indústria já afeta o mercado de trabalho no setor de serviços. Sondagens indicam que há piora no cenário de contratações em empresas prestadoras de serviços, principalmente nas áreas de limpeza e segurança.

As informações sobre o desempenho da economia, já há algum tempo, vêm mostrando que não são pequenos os riscos de um recuo mais forte no último trimestre do ano, depois do registro, em indicadores antecedentes, de uma parada literal no período julho-setembro. Crescimento de 3%, em 2011, já é considerado bom resultado. E crescem as projeções de que esse nível modesto de expansão se repetirá em 2012.

Não é muito fácil entender como, diante de um quadro já tão nítido de desaceleração, sobrevivam análises duvidando do desaquecimento da demanda. Mas, com certeza, é de gente que continua olhando para trás, se (auto) enganando com a excepcional performance de 2010 – no fundo, um desvio da curva padrão de crescimento da economia brasileira, provocado pelo choque de 2008 – que essas análises derivam. O retrovisor não ajuda muito a captar o que vem pela frente. Aliás, normalmente engana.

 

 

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