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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Obama vai abrir o paraquedas sem saber onde pousará

José Paulo Kupfer

24 de fevereiro de 2009 | 21h13

Barack Obama faz, logo mais, o seu primeiro discurso “O estado da Nação”, mensagem que abre o ano legislativo nos Estados Unidos. Os jornais americanos especularam, durante todo o dia, sobre o teor do pronunciamento. O resumo do que dizem que ele vai dizer é que o governo voltará a ser grande – tradução: mais intervencionista –, mas pelo menor tempo possível. O desafio é convencer que a primeira parte é indispensável e a segunda, possível.

Tudo, porém, continua incerto. Como comparou um assessor do próprio Obama, citado pelos jornais, o novo presidente buscará convencer os americanos de que já puxou a corda e abriu o paraquedas, embora ainda não saiba quanto tempo demorará a descida e nem mesmo onde vai pousar.

Segundo o “New York Times”, Obama terá a dura tarefa de convencer os cidadãos americanos – e, por tabela, o resto do mundo – de que, para salva-los da crise, terá antes de salvar os bancos, que foram tão irresponsáveis; as montadoras de veículos, que não deram a devida atenção às mudanças competitivas ocorridas no mercado ao longo dos pelo menos últimos 25 anos; e os proprietários de imóveis, que se iludiram na crença de uma alta infinita dos preços das casas.

Os bancos puxam a fila. Amanhã, quarta-feira de cinzas, começam os “testes de solvência” dos bancos, primeiro passo para decidir se o governo tentará uma ação conjunta com investidores privados ou vai partir logo para a estatização. Do que já se sabe do plano de resgate do setor bancário, a idéia do governo é oferecer garantias os investimentos privados, caso o banco seja aprovado nas simulações de solvência a que cada um será submetido por equipes oficiais. Se a instituição não passar no teste, pode ser estatizada direto.

O mecanismo de resgate anunciado envolve a aquisição, pelo governo, de ações preferenciais, sem direito a voto, mas com cláusula de conversão em ordinárias, com direito a voto, caso o banco, depois da injeção de recursos, não se recupere. 

Mas não são poucos os que, entre especialistas e economistas de prestígio, consideram tudo isso apenas um lance inútil na tentativa de evitar a inevitável estatização. Para eles, à frente o Prêmio Nobel, Paul Krugman, os bancos estão, na prática, insolventes, e não passam de instituições zumbis, perambulando à custa de transfusões de recursos públicos, incapazes de curar a insolvência efetiva de que padecem.

Na linha de frente das negociações para obter o apoio oficial condicionado à transferência do controle, se os problemas de solvência persistirem, estão o Citigroup e o Bank of América. Estatizá-los parece ser apenas questão de tempo.

Citi e Bofa estatais é algo tão incomum que nem no Carnaval dava para imaginar.   

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