Padrão gangorra

José Paulo Kupfer

16 de agosto de 2013 | 12h18

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho, divulgado ontem, reforçou as expectativas de que a economia crescerá em torno de 1%, no segundo trimestre, em comparação com o primeiro trimestre. A média móvel trimestral, que é compatível com o cálculo da variação do PIB – apresentado em base trimestral pelo IBGE – no segundo quarto do ano, apontou uma expansão de 0,89% sobre o período janeiro-março.

Previsto para daqui a 15 dias, o anúncio oficial do IBGE para o crescimento no segundo trimestre, se confirmar as projeções correntes, dará passagem a comemorações no governo. Depois do quarto trimestre de 2010, o segundo trimestre de 2013 seria o primeiro com expansão sobre o trimestre anterior nas alturas de 1%. Em termos anualizados, significaria que a economia andou a um ritmo relativamente forte de 4%.

É possível, porém, que o segundo trimestre registre o pico de crescimento da atividade econômica no ano. Como no caso da inflação quase zero registrada em julho, o crescimento mais acelerado no segundo trimestre poderá vir a ser um ponto fora curva.

Os indicadores econômicos já conhecidos de julho indicam um esfriamento, em relação a junho, sob influência da acentuada queda nos índices de confiança de empresários e consumidores, em relação ao futuro econômico próximo. Sinais de estagnação – ou mesmo de algum recuo – no terceiro trimestre estão aparecendo no radar dos analistas de conjuntura. O padrão do crescimento parece se consolidar como uma gangorra de altos e baixos.

As projeções para a variação do PIB de 2013, depois do IBC-Br de junho, continuam convergindo para alguma coisa ao redor de 2%. É um porcentual compatível com estagnação no terceiro trimestre e crescimento não muito acima de 0,5% (média dos cinco últimos trimestres) no quarto final do ano.

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Como lembra a consultoria LCA, em boletim a seus clientes, a partir de agosto, o IBGE incorporará os dados da nova Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) aos cálculos das Contas Nacionais trimestrais, promovendo uma imediata revisão dos resultados pelo menos desde 2012. É possível, portanto, que ocorram surpresas – para melhor ou para pior – nos números do PIB do terceiro trimestre.

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