Perda de ritmo

José Paulo Kupfer

14 de fevereiro de 2014 | 08h42

 

O resultado das vendas do comércio, em dezembro, divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE, reforçou a convicção de que a economia teve uma freada, relativamente forte e brusca, no último mês de 2013. É o caso de lembrar que, em dezembro, a indústria também registrou queda forte, de 3,5% sobre novembro. Má notícia para o crescimento em 2014, que receberá um legado frouxo do ano que acabou de terminar.

Em relação a novembro, o comércio desacelerou em dezembro. No conceito restrito, que não inclui os setores de veículos e de materiais de construção, o recuo foi de 0,2%. No conceito ampliado, a queda foi mais acentuada, alcançando 1,5%. No acumulado de 2013, o comércio restrito avançou 4,3% – o menor crescimento em 10 anos – e o ampliado, 3,6%. Comparado com 2012, o encolhimento é expressivo: naquele ano, o comércio cresceu 8,4% e o ampliado, 8%.

Não são difíceis de localizar os fatores que estão puxando o consumo – e o volume de vendas no comércio – para baixo. Alta de juros, inflação, restrições de crédito e desconfiança do consumidor se combinam para moderar a atividade comercial. Ela resiste no terreno positivo em razão do baixo desemprego e da manutenção do nível de remuneração do pessoal ocupado.

Interessante notar que a receita de vendas resiste à redução do ritmo de expansão do volume vendido. Desde 2010, mesmo com moderação no volume, as receitas se mantêm nas vizinhanças de uma expansão de 11%. A melhor explicação para o ocorrido reside na constatação de que os comerciantes foram razoavelmente bem sucedidos na manutenção das margens de comercialização, com o repasse de custos aos preços. Não é por coincidência que as pressões inflacionárias recrudesceram nesse período.

A expectativa dos analistas é que, em janeiro, ocorra alguma recuperação do comércio. Mas, ao longo de 2014, a tendência, segundo eles, aponta para um reforço do freio na atividade do setor. As projeções para a expansão da atividade comercial neste ano, depois do fechamento de 2013, sinalizam para um crescimento ainda menor, em torno de 3%.

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