PIB abaixo do esperado derruba fatalidade da alta de juros em 2010

José Paulo Kupfer

10 de dezembro de 2009 | 10h11

O PIB do terceiro trimestre veio abaixo do esperado. Na verdade, veio bem abaixo. A expectativa, inclusive a declarada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, era de cerca de 2%. Veio 1,3%. A diferença, que é forte, fica clara quando se calcula a taxa anualizada – a nova moda, no Brasil. De uma projeção de crescimento de 8% anualizados, fica-se com 5,3%.

O mais importante talvez não seja isso. Junto com os resultados do terceiro trimestre, veio a revisão dos números do segundo trimestre. E aqui a coisa foi pesada. Para baixo.

Na primeira revisão, o IBGE reduziu a taxa de crescimento sobre o primeiro trimestre do ano de 1,9% para 1,1%.  Significa, em termos anualizados, que, em lugar de ter crescido, no segundo trimestre, 7,8%, a economia avançou 4,4% – pouco mais da metade.

Disso tudo, tem-se o seguinte:

1) Poucos estavam prevendo a hipótese de, como dizem os economistas em seu exótico linguajar, crescimento negativo, em 2009. Mas essa hipótese, agora, é a mais provável; 

2) Com a economia crescendo a 5% – e não a 8% -, a expectativa generalizada entre os economistas de mercado da necessidade de uma alta dos juros básicos  em 2010, fica abalada. Raciocinando nos termos deles, o crescimento real não está distante do produto potencial, limitando as potenciais pressões inflacionárias que recomendariam apertar a política monetária.

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