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PIB cai menos, mas sinais de recuperação ainda são difusos

José Paulo Kupfer

01 Junho 2016 | 11h27

Momentos de início de reversão de uma tendência, na economia, são por definição difíceis de captar e, consequentemente, permitir a oferta de indicações seguras para os períodos vindouros. Quando a trajetória de alta passa a refluir ou na hora em que a atividade econômica se aproxima do fundo do poço e começa a infletir para cima, os sinais ainda são difusos e costumam apontar em direções opostas.

É algo assim que parece mostrar o resultado efetivo da variação do PIB no primeiro trimestre de 2016 quando comparado com o conjunto das projeções dos analistas. A mediana das estimativas apontava recuo de 0,8% e a queda de 0,3% em relação ao quarto trimestre de 2015, apurada pelo IBGE, era o piso dessas estimativas. Em resumo, a economia permanece em queda, mas o ritmo do recuo aparece mais suave do que o previsto.

A alta das exportações, em combinação com um intenso recuo das importações, assim como os gastos do governo, foram o fatores que, no lado da demanda, contribuíram para suavizar a retração do PIB no primeiro trimestre. Eles foram, porém, insuficientes para compensar a continuidade das perdas no consumo das famílias, que responde por 60% do PIB e recuou 6,3% no primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado,  assim como do investimento, que apresenta, na comparação com o primeiro trimestre de 2015, recuo intenso de 17,5%.

Quando se observam as projeções para o resto do ano, a queda menos acentuada do PIB, no primeiro trimestre, ainda não parece indicar tendência consistente. O segundo trimestre, por exemplo, de acordo com as informações já conhecidas e indicações antecedentes, deverá apresentar queda mais forte do PIB do que no trimestre anterior.

É verdade que a trajetória geral prevista é de contrações menos intensas a cada trimestre, a partir da segunda metade do ano, mas ainda sem alterar substancialmente o resultado final. Se antes uma contração de 4% na atividade econômica em 2016 era o piso das projeções, depois da surpresa menos negativa dos números no intervalo janeiro-março, este número pode vir a se revelar como um teto. Seja como for, continuará a marcar o período recessivo mais acentuado e prolongado de todos os tempos.