Pintou um clima melhor

José Paulo Kupfer

28 de fevereiro de 2014 | 19h51

O resultado positivo do PIB, no quarto trimestre – avanço de 0,7% sobre o trimestre anterior –, surpreendeu o mercado e não só ajudou a fechar o ano de 2013 com a economia para cima – expansão de 2,3% contra 1%, em 2012 –, ainda que em grau modesto.  Ajudará também a mudar o sinal, mesmo que também modestamente, nas projeções de alguns outros indicadores – a começar do PIB de 2014, cujas estimativas, hoje em 1,7%, devem começar um caminho na direção de 2%. Além disso, pode contribuir para desanuviar, parcialmente que seja, o clima econômico geral e os índices de confiança no futuro da economia,

Quando muitos esperavam o ingresso da economia em período de recessão técnica, com novo recuo da atividade no último trimestre do ano, depois do encolhimento do terceiro trimestre, ocorreu uma virada. As expectativas mais pessimistas, agora não confirmadas, haviam sido alimentadas pelo forte recuo da indústria em dezembro e, em seguida, pelo índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) negativo. Recorrentes déficits comerciais engrossaram o caldo azedo.

Observada em retrospectiva, a economia foi, de fato, mais uma vez negativamente afetada pela demanda externa, em linha com as frustrações com o crescimento global, que avançou 3% em 2013, ante projeção do FMI, no início do ano, de expansão de 3,5%. Desde 2005, o setor externo contribui para reduzir o crescimento da economia brasileira e em 2013 essa contribuição negativa tirou 0,9 ponto porcentual do PIB. Se a economia fosse fechada, o crescimento, no ano passado, teria ficado acima de 3%.

Se a taxa de poupança da economia recuou para raquíticos 13,9% do PIB e a taxa de investimento permaneceu praticamente estagnada pouco acima de insuficientes 18% do PIB, a expansão dos investimentos foi a melhor surpresa do ano passado. No início do ano, as projeções apontavam para uma alta, já razoável, não superior a 5%, mas, na realidade, os investimentos cresceram 6,3%. A expansão de 7% no setor agropecuário, que levou a um aquecimento no segmento de máquinas e equipamentos, explica um pouco do avanço nos investimentos.

O consumo das famílias, de outro lado, que responde, no lado da demanda, por 60% do PIB, foi a grande frustração de 2013, em relação às previsões do início do ano. Elas apontavam alta de 4% e na realidade não cresceu mais do que 2,3%. Na composição do PIB de 2014, a propósito, a expectativa é a de que a contribuição menor do consumo doméstico seja em parte compensada por uma recuperação da demanda externa.

 

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