Plano Geithner, primeiras impressões

José Paulo Kupfer

10 de fevereiro de 2009 | 18h00

A aprovação pelo Senado americano do tão esperado plano de Barack Obama para, com mais de US$ 800 bilhões, preservar ou recuperar 4 milhões de empregos tem importância política, mas é, no geral, o que já se sabe faz tempo. A novidade do dia é o anúncio do plano de absorção dos créditos podres dos bancos.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, responsável pelo anúncio, deixou todo mundo nervoso com uma explicação confusa e sem detalhes do esquema, que chamou de “público-privado”, para engolir o lixo financeiro dos bancos. Parece que Geithner reservou US$ 500 bilhões para os créditos podres e mais US$ 1 trilhão para um novo e fortíssimo suporte ao crédito.

Somando e desengordurando variadas opiniões, daqui e de fora, sobre o plano, a melhor conclusão do momento é a seguinte: 1) Ninguém sabe como será de fato; 2) Mesmo quando se souber, não se sabe se vai funcionar; 3) Ainda que não se saiba como será e se vai funcionar, pode ser bom.

A partir das primeiras indicações, o esquema funcionaria assim: 1) O banco A tem uma carteira com valor de face 100, mas que vale 10 no mercado; 2) O Tesouro banca esses 10 e garante a recompra se baixar desse valor; 3) O Além disso, financia 100% da aquisição a juros e condições ultra-camaradas. A presunção é a de que, só a garantia de recompra e o financiamento de pai para filho elevarão o valor de mercado dos papéis encalacrados.

Os bancos perdem menos e se livram do lixo. Os investidores arriscam um ganho com dinheiro público. E o governo banca a festa.

Aguardem mais detalhes logo mais.

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