PNAD Contínua de agosto mostra que mercado de trabalho segue estagnado

José Paulo Kupfer

28 Setembro 2018 | 14h33

A economia se arrasta, seguindo em regime de quase recessão, e o mercado de trabalho evolui acompanhando o ritmo lento da atividade econômica. Essa é a conclusão que se pode extrair dos resultados da PNAD Contínua — pesquisa do IBGE que retrata a movimentação dos trabalhadores —, no trimestre móvel compreendido entre junho a agosto, divulgada nesta sexta-feira. Tanto a taxa de desemprego quanto outros índices do mercado de trabalho, como a taxa de subutilização e a de desalento, mantiveram-se praticamente estáveis ou mostraram alterações marginais.

Houve um ligeiro recuo na taxa de desemprego, que caiu de 12,3% no trimestre móvel anterior, encerrado em maio, para 12,1%. No trimestre mais recente, somavam-se 12,7 milhões de trabalhadores desocupados, cerca de 500 mil a menos do que no trimestre anterior, e 400 mil a menos em relação aos números do mesmo trimestre de 2017.

Algo semelhante pode ser observado na taxa de subutilização da mão de obra, que se refere ao conjunto de trabalhadores que só consegue colocação com jornadas reduzidas e menores do que gostariam. A taxa de subutilização estava em 24,6% da força de trabalho, no trimestre anterior, e agora se encontra em 24,4%, expressando a existência de 27,5 milhões de trabalhadores — um quinto do total da força de trabalho — desocupados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial.

Também a taxa de desalento ficou na mesma, quando se comparam os dois trimestres, com 4,3% da população ativa ante 4,4% no acumulado dos três meses encerrados em maio nessa situação. São agora 4,8 milhões de pessoas que, desanimadas com as perspectivas de encontrar trabalho, não estão procurando colocação. O contingente teve um aumento de 600 mil trabalhadores em 12 meses.

A ligeira queda na taxa de desemprego, no trimestre findo em agosto, se deveu a um pequeno incremento na população ocupada ante um acréscimo ainda menor na força de trabalho. O ligeiro avanço da ocupação, contudo, se deu, mais uma vez, exclusivamente no segmento informal do mercado de trabalho. O volume de trabalhadores com carteira assinada recuou 0,5 ponto porcentual, sendo compensado, no segmento formal, por contratações no setor público e no aumento do grupo de empregadores.

Como quase todos os demais indicadores do mercado de trabalho, a taxa de participação também permaneceu sem alteração na prática, oscilando de 61,5% da força de trabalho, no trimestre móvel anterior, para 61,4%, no trimestre encerrado em agosto. Isso significa que cerca de 40% das pessoas em idade ativa não encontram ou não procuram ocupação na economia brasileira.