PNAD trimestral mostra mercado de trabalho travado

José Paulo Kupfer

16 Agosto 2018 | 17h05

A divulgação pelo IBGE, nesta quinta-feira, da PNAD Contínua trimestral, que traz detalhes da utilização da mão de obra no mercado trabalho, mostra um quadro de dificuldades para o emprego. Se 12,4% da força de trabalho estava desocupada em junho — o equivalente a 13 milhões de pessoas —, o volume de trabalhadores desocupados ou subutilizados chega a 27,6 milhões, representando 24,6% da força de trabalho.

Subutilizados são aqueles trabalhadores que gostariam de trabalhar, mas não conseguem ocupação por 40 horas semanais. Além desses, é preciso incluir, nas estatísticas das dificuldades de conseguir ocupação, aqueles que desanimaram de procurar trabalho. O número de desalentados vem crescendo e chegou, nesta última pesquisa, a 4,8 milhões de pessoas, recorde desde o início da série atual em 2012.

Prova de que o mercado de trabalho se mantém travado pode ser encontrada no número de pessoas desempregadas há mais de dois anos. Elas somam 3,16 milhões, correspondente a 24% do total de desempregados. Outro 1,8 milhão está procurando emprego sem achar entre um e dois anos.

Se a taxa de desemprego tem recuado, ainda que muito lentamente, o mesmo não se pode dizer da taxa de subutilização. O desemprego bateu no teto de 13,7% da força de trabalho no primeiro trimestre de 2017 e de lá para cá caiu 1,3 ponto percentual, marcando agora 12,4%. É sabido que essa queda se deveu, quase exclusivamente, ao preenchimento de postos no mercado informal. Agora, com o detalhamento trazido pela PNAD tri, é possível observar que mesmo a válvula de escape da informalidade não está conseguindo aliviar a pressão por trabalho.

A taxa de subutilização cresce, trimestre a trimestre, desde 2016, refletindo o crescimento da taxa de subutilização por insuficiência de horas e o aumento no contingente de desalentados. Também vem aumentando o exército de pessoas em idade ativa fora da fora de trabalho. O total de nem ocupados, nem desocupados, no segundo trimestre deste ano, somou 65,6 milhões de pessoas. É um número 1,2% (774 mil pessoas) maior do que no trimestre anterior e 1,9% (1,2 milhão de pessoas) superior em relação ao segundo trimestre de 2017.

Não surpreende que, diante desse quadro de dificuldades crescentes no mercado de trabalho, o rendimento médio habitual e a massa salarial permaneçam estáveis ao longo do ano. Isso  ajuda explicar tanto a perda de fôlego da atividade econômica em 2018 quanto as perspectivas pouco animadoras para o crescimento da economia em futuro próximo.