Pontos de inflexão na Grécia

José Paulo Kupfer

22 de julho de 2011 | 16h29

Alguns pontos merecem destaque nas decisões da União Europeia, nesta quinta-feira, com relação à Grécia. Elas representam um histórico ponto de inflexão nas relações econômicas mediadas pelo sistema financeiro, entre os setores público e privado.

Resumindo, em linguagem comum, são os seguintes:

1)    Optou-se por um calote parcial e organizado da dívida grega;

2)    O setor privado entrará com uma parte – pequena, mas uma parte – na reestruturação da dívida grega;

3)    Criou-se um mecanismo de estabilização para toda a zona do euro, com regras e recursos para impedir desorganização de dívidas públicas e ataques especulativos nas demais economias da região.

4) O peso das avaliações das empresas de classificação de risco, na definição de garantias em títulos de dívida, será limitado.

* * *

O que fica faltando definir melhor:

1)    A profundidade e a abrangência do programa de austeridade exigido da Grécia em contrapartida ao socorro. Se for excessivo jogará no ralo o bebê da operação de salvamento junto com a água do banho. Recessões não ajudam em nada no êxito de programas de austeridade.

2)    As privatizações previstas no programa de reformas grego, obviamente necessárias, também não deveriam ser feitas de qualquer jeito e a qualquer preço. Na volta do parafuso, os custos poderão dificultar – em razão de infra-estrutura insuficiente e pressões inflacionárias futuras – uma eventual trajetória de crescimento econômico sustentável.

 * * *

A Europa do euro decidiu, depois de uma enorme hesitação, descer do muro e encarar o seu problema como deveria. Ou seja, considerando as conseqüências políticas nefastas que poderiam resultar de soluções “naturais” ou de “mercado”.

Falta agora – e não só na eurozona, mas também nos Estados Unidos – pôr em prática os novos e mais duros limites de capitalização dos bancos, sobretudo aqueles “grandes demais para quebrar”, já recomendados pelo Banco das Compensações Internacionais (BIS, o dito banco central dos bancos centrais).

 

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.