por Leandro Modé

José Paulo Kupfer

06 de dezembro de 2007 | 09h17

A crise das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, conhecida no jargão financês como ‘crise do subprime’, mostra que o deus-mercado, quando interessa, não hesita em apelar para o bom e velho governo.

Nos últimos dias, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, tem conversado com chefões de instituições de Wall Street para criar um pacote de ajuda aos devedores que não conseguem – ou não conseguirão – pagar suas prestações. As condições devem ser anunciadas oficialmente pelo presidente George W. Bush nesta quinta-feira.

Em resumo, a idéia é que os bancos congelem as taxas de juros cobradas dos clientes. Grande parte das hipotecas nos EUA cobra um determinado juro nos dois ou três primeiros anos de vigência do contrato. Depois, a taxa é elevada.

Nos próximos meses, estima-se que ao menos 2 milhões de americanos verão a prestação subir para um nível que, para a maioria, será impagável. Resultado: perderão suas casas. Bush disse que está preocupado com eles e, por isso, mandou Paulson estudar uma saída.

O tal mercado gostou. Depois de vários dias de lenga-lenga, as bolsas americanas engatam uma alta consistente nesta quarta-feira. Na visão dos analistas, um socorro às vítimas do subprime ajudaria a conter as perdas dos bancos com papéis indexados às hipotecas americanas.

O que será que diriam os bastiões tupiniquins da ortodoxia econômica se uma medida desse tipo fosse adotada por um país emergente como o Brasil?

Leandro Modé, 33, é editor-assistente de Economia do jornal “O Estado de S. Paulo”

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