Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Por que o Corinthians está sobrando

O que um jornalista de Economia, mas que também já trabalhou no Esporte e, sofrido torcedor do Fluminense, é apaixonado por futebol achou do título do Brasileirão conquistado pelo Corinthians .

José Paulo Kupfer

22 de novembro de 2015 | 21h19

Mesmo para quem não torce para o campeão, mas é apaixonado pelo futebol, impossível não se emocionar com o campeonato do Corinthians e o show de bola contra o São Paulo, com um time misto. A goleada é mais uma confirmação de que futebol não é caixinha de surpresa, apesar de alguns imprevistos aqui e ali, que dão o tempero do jogo. Muito mais nos tempos atuais, em que, como tudo, também o futebol, sem precisar deixar de ser arte, é estratégia, técnica e tecnologia.

O Corinthians de Tite é a equipe brasileira mais próxima do melhor futebol de hoje, jogado na Europa — notadamente na Alemanha, Inglaterra e Espanha. A arrumação em campo é simples: o esquema é o 4-1-4-1, com duas linhas de defesa, com quatro jogadores em cada uma, no próprio campo defensivo. As linhas de defesa jogam um pouco mais avançadas, a última um passo à frente da linha da grande área, a da frente um passo atrás da linha do meio de campo. No ataque, as duas linhas avançam, em sanfona, com os alas abrindo mais e os centrais mais plantados e a linha da frente avançando em arco até a área adversária.

Mas não é fácil executar essa sanfona e preencher os espaços, jogando com passes mais curtos e em triangulações pelas pontas, até que algum espaço se abra e por ali entre um meia ou mesmo um volante que venha de trás. Para isso, é preciso preparo físico mais apurado e disciplina tática. Em outras palavras, é preciso treino e mais treino.

Treino e preparo físico são a chave mágica desse futebol moderno. Disso decorre a disciplina tática. É visível no Cortinthians a consciência do passe curto para um espaço vazio dentro da área, por onde alguém se infiltrará para chutar a gol, em geral, em posição de balançar a rede. Diferentemente da descoberta que consagrou Nilton Santos e sua geração de gênios da bola — e se transformou na maldição do futebol brasileiro, assim como o “jeitinho” é uma das nossas maldições sociais –, hoje, no futebol, não é a bola que corre, é o jogador.

Não é coincidência o protagonismo de Jadson, Renato Augusto e Elias nesse Cortinthians tão campeão. Renato Augusto é um volante que se transforma em meia na hora do ataque. Não tem a força nem é craque como Schweinsteiger, da seleção alemã, mas cumpre bem esse papel fundamental no futebol atual. Jadson e Elias são meias de verdade, a peça crítica do futebol de hoje e raridade no futebol brasileiro.

Com a fórmula do futebol atual — repetindo: preparo físico, disciplina tática e treino, muito treino — Tite transformou um elenco de jogadores médios em um poderoso time, que está sobrando no futebol brasileiro — o Corinthians é o mais efetivo no ataque, o mais eficiente na defesa, o que mais troca passes, o que menos erra passes (são passes mais curtos) e o que mais finaliza dentro da área.

É possível furar esse esquema, fazendo uma variação, espelhada na defesa e invertida no ataque, desse esquema do Corinthians. Fechar em linhas duplas atrás e explorar lançamentos longos, por trás das linhas defensivas da Alemanh… ops… do Corinthians, para ponteiros velozes e tecnicamente hábeis encontrarem um centro avante ou um volante rápido vindo de trás. Mas também para isso, é preciso muito preparo físico, muito treino e disciplina tática.

Com a fórmula do futebol atual — repetindo: preparo físico, disciplina tática e treino, muito treino — foi possível a Tite transformar um elenco de jogadores médios em um poderoso time, que está sobrando no futebol brasileiro — o Corinthians é o mais efetivo no ataque, o mais eficiente na defesa, o que mais troca passes, o que menos erra passes (são passes mais curtos) e o que mais finaliza dentro da área.

Sobra porque, nos outros, técnicos que não passam de boleiros que comandam rachas recreativos e não treinos de verdade, com jogadores que não suam a camisa durante a semana para melhorar o preparo físico, improvisam um futebolzinho ineficiente de lances isolados (qualquer semelhança com a seleção de Dunga, infelizmente, não é mera coincidência), nostálgicos de outros tempos e de craques que, se existem, não estão aqui nos nossos campeonatos.

Tomara que o exemplo do Corinthians de Tite leve os outros times a uma revisão e que esta revisão também chegue ao antes memorável e hoje não mais do que mediano escrete canarinho.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: