Previsão: 2009 terá muitos ajustes nas previsões

José Paulo Kupfer

13 de janeiro de 2009 | 17h32

Prever o comportamento dos eventos econômicos é uma tarefa sujeita a chuvas e trovoadas. Se isso vale para os momentos de expansão dos ciclos econômicos, quando as forças que movem a economia estão bem definidas, operando em velocidade de cruzeiro, imagine nos casos de crise sistêmica, quando ocorre uma quebra abrupta do ciclo.

Num episodio de quebra de ciclo, como o deflagrado pela crise atual, os instrumentos do oráculos também se quebram. É então indispensável buscar outros, mais adequados à nova trajetória das ondas econômicas. Que, inclusive, consigam captar as novas e desembaraçadas ações heterodoxas dos governos.

Esse nariz-de-cera todo vem a propósito da previsão de crescimento da economia lançada nesta semana pelo boletim Focus, do Banco Central. Os economistas de mercado consultados pelo BC vêm reduzindo, semana a semana, suas expectativas para a evolução do PIB, em 2009. De 2,5%, há um mês, para 2,4%, há uma semana, e 2%, agora. Uma diferença de 20% em quatro semanas!

Entre as possíveis explicações para o fato, uma seria a de que os videntes consultados pelo BC continuam usando os instrumentos e sistemas usuais de previsão, não os tendo adequado aos novos tempos. A relativa inconsistência entre as medianas das projeções dos diversos indicadores da última Focus, de fato, permite pensar que a bússola dos navegantes ficou maluca e está precisando ser trocada. 

No caso do Focus, as discrepâncias entre o previsto e o efetivamente ocorrido são tais e tantas que só devotos acreditam piamente nos resultados apresentados (ver, a propósito, o post “Previsões imprevisíveis”, de 29 de dezembro, logo aqui embaixo). Mesmo na normalidade, errar muito tem sido o padrão.

Nem por isso os exercícios de previsão deixam de fazer sentido. Projetar o futuro é uma tarefa sempre útil, quando menos para delimitar as hipóteses preditivas. O problema não reside na previsão, mas no grau de crença depositada no que é previsto.

Há, enfim, razões de sobra para uma outra previsão: a de que amplos e frequentes ajustes terão lugar nas projeções macroeconômicas neste ano de 2009. 

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