Projeções indicam piora nas contas públicas

José Paulo Kupfer

14 de abril de 2016 | 20h09

O Ministério da Fazenda, por meio da sua Secretaria de Política Econômica, divulgou nesta quinta-feira, a edição referente a março do Prisma Fiscal. Os analistas econômicos consultados projetam agora uma piora da situação das contas públicas, para 2016 e 2017, em relação às projeções anteriores.

Aumentou de R$ 79 bilhões para R$ 100 bilhões, de março para abril, a previsão de déficit fiscal primário ao final de 2016. Comparado com o PIB, o rombo sairia de 1,3% do PIB para 1,6% do PIB, neste ano, e evoluiria para 1,7% do PIB, no próximo ano, quando o déficit alcançaria R$ 103 bilhões. Com base nessa evolução, o relatório indica estimativa de que a relação dívida/PIB avançaria de 74,3% do PIB, em 2016, para 78,75% do PIB, em 2017.

O Prisma Fiscal é uma versão, restrita ao âmbito fiscal, do já tradicional Boletim Focus, com o qual o Banco Central afere, semanalmente, as projeções de analistas de conjuntura para os principais indicadores macroeconômicos. No caso do Prisma Fiscal, as estimativas abrangem os três meses subsequentes ao mês de referência e também os valores considerados para este ano e o próximo.

Essa piora nas projeções dos resultados primários são fruto de reduções nas estimativas para as receitas e de expansão das despesas, do mês passado para este mês. As estimativas vão na direção destacada pelo FMI, anunciada nesta quarta-feira, que prevê retorno aos superávits somente em 2020.

Fica cada vez mais evidente — se é que já não estava — que, sem uma reforma fiscal ampla, não haverá como sair do atoleiro em que se encontra a economia. Essa reforma, inapelavelmente, não poderá se contentar apenas com ações de corte de gastos ou só de aumentos de carga tributária e apenas com ações restritas de curto prazo.

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