Projeções provisórias

José Paulo Kupfer

28 de junho de 2013 | 10h25

Desossada das contorções idiomáticas, costumeiras nos comunicados do Banco Central, inclusive nos relatórios trimestrais de inflação, a verdadeira mensagem do documento do segundo trimestre de 2013, divulgado nesta quinta-feira, é a de que as projeções apresentadas estão, em geral, fora do ponto. São poucas as chances de a variação do PIB não terminar o ano abaixo do previsto no relatório de junho, assim como são razoáveis as possibilidades de que a inflação feche o ano abaixo do projetado no documento do BC.

As projeções para a variação do PIB e do IPCA em 2013 estão acima do que, provavelmente, deverá ocorrer, se forem considerados parâmetros mais realistas do que os utilizados no relatório. A economia tem tudo para crescer menos do que 2,7% e a inflação para ficar abaixo de 6%. A explicação para essa hipótese é a de que o cenário de referência, usado tanto para definir a redução do crescimento econômico, em três meses, de 3,1% para 2,7%, quanto para elevar a expectativa de variação do IPCA, no mesmo período, de 5,7% para 6%, está assentado em bases que já ficaram no passado.

Essas projeções estão ancoradas numa taxa básica de juros de 8% ao ano e numa taxa de câmbio de R$ 2,10 por dólar. Oficialmente, o relatório considera projeções vigentes até 7 de junho, e foi depois desta data, embora antes da publicação do texto, que o mercado cambial, em nível global, intensificou turbulências e volatilidades, com o câmbio batendo em R$ 2,30, ainda que agora procure uma acomodação em torno da taxa de R$ 2,20.

Tudo bem que projetar cotações do dólar é exercício ingrato – os economistas brincam que essa necessidade foi criada para humilhá-los. Mas as coisas são menos incertas no caso dos juros. Ninguém acredita que os juros básicos não avançarão pelo menos entre um e dois pontos até o fim do ano. Nem mesmo o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo. Na apresentação do Relatório de junho, ele disse que a inflação de 2013 pode ser menor do que a de 2012 (5,84%) e insinuou que juros mais altos justificariam a contradição entre o documento e suas declarações.

O sumo que se pode extrair do Relatório de Inflação de junho é que o ambiente econômico brasileiro continua desfavorável para a inflação – e que, portanto, os juros devem subir mais. Por isso mesmo, será preciso esperar pelo relatório de fins de setembro para ter uma ideia oficial melhor das trajetórias mais prováveis dos principais indicadores da economia em 2013.

 

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