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Prudência no corte dos juros prepara terreno para avanço mais rápido

José Paulo Kupfer

19 de outubro de 2016 | 20h09

Ao dar início, na reunião desta quarta-feira, a um ciclo, que se prevê longo e acentuado, de cortes nas taxas básicas de juros, com uma redução de 0,25 ponto porcentual, o Comitê de Política Monetária (Copom), mostrou preferência pela cautela. A decisão de trazer a taxa para 14% ao ano, depois de 15 meses com juros básicos estacionados em 14,25% e mais de quatro anos do último corte na taxa Selic — e não já avançar para 13,75%, com uma poda mais agressiva de 0,5 ponto, como sugeriam muitos analistas —, foi unânime.

Mas isso não significa que, daqui para frente, a velocidade de redução da taxa básica não se acelere. A leitura do comunicado emitido no encerramento do encontro dá indicações de que o Copom está preparando o terreno para depois avançar mais rápido. A perspectiva de que a economia demore mais do que o antes esperado para sair do fundo do poço e iniciar uma retomada do nível de atividades, detectada a partir dos resultados da produção e das vendas em agosto, juntamente com a melhor definição da trajetória de outros fatores, abre espaço para cortes mais fortes nas próximas reuniões do Copom.

Esses fatores, que ainda levaram os diretores do Banco Central a segurar um corte mais agressivo já em outubro, mostram tendência positiva em horizonte mais longo. Um deles é a própria inflação. Não há obstáculo à vista capaz de impedir a marcha do IPCA rumo ao centro da meta. Só que o ritmo pode ser mais lento, alongando o prazo de convergência, em razão de alguma resistência ou repique temporário nos preços de alimentos e, principalmente, no setor de serviços.

Outro fator considerado decisivo pelo Copom é o desenrolar do processo de  ajuste fiscal. Em curso, a partir com a tramitação da PEC do teto dos gastos públicos, já aprovada, em primeira votação na Câmara dos Deputados, sem grandes alterações em relação à proposta original do governo, esse processo pode ser atrapalhado — e sofrer atrasos — por dificuldades nas negociações das reformas e por eventos políticos inesperados.

Há ainda — e como sempre — a necessidade de considerar os fatores externos. Embora os diretores do BC considerem o quadro externo ainda benigno para os países emergentes, como o Brasil, persistem as incertezas em relação ao crescimento das economias maduras e, principalmente, no que diz respeito à decisão do Federal Reserve em aumentar os juros de referência nos Estados Unidos antes do fim do ano.

Nesse sentido, um ciclo consistente de queda das taxas básicas contribuiria não só para aliviar o quadro de endividamento em que se encontram empresas e famílias, introduzindo um fator de distensão na economia, mas também para aliviar a política cambial e evitar sua propagação negativa no lado fiscal. Em regimes de câmbio flutuante, mesmo naqueles em que as autoridades interferem, opera uma relação inversa entre taxa de juros e taxa de câmbio — quando a primeira cede, a outra tende a desvalorizar e vice-versa.

Assim, seria possível manter o real relativamente desvalorizado, ajudando a impulsionar a balança comercial e o crescimento da economia, sem a necessidade de acumular volumes exagerados de swaps cambiais, que pressionam a dívida pública bruta.

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