Quase passou batido

José Paulo Kupfer

20 de outubro de 2010 | 20h57

Era tida como tão certa a manutenção da taxa de juros pelo Copom em 10,75% ao ano que nem a costumeira ansiedade nos mercados deu o ar da graça desta vez. Se o BC não avisasse, talvez a notícia passasse batida.

No momento em que escrevo, pouco depois da divulgação do resultado da reunião do Copom, me assaltam duas dúvidas: 1) Será que os economistas de bancos vão, como sempre, aparecer para dizer que o BC devia ter elevado a Selic em 0,25 ponto ou 0,5 ponto porque a inflação pode acelerar em… 2045?;  e 2) Será que a Fiesp e a CNI vão, como sempre, soltar notas reclamando dos juros altos?

Talvez os dois lados tenham de cumprir tabela, deixando suas reclamações para registro. Mas é de se duvidar que alguém tenha se preocupado com o que os diretores do BC, reunidos no Copom, decidiam em Brasília, nesta quarta-feira.

Não havia mesmo nem razões técnicas nem clima político para mexidas na taxa de juros. As pressões, sobretudo de alimentos, sobre os índices de preços têm sido sufocadas pela enxurrada de importações. E, se a economia ainda anda em ritmo bom, já não está tão acelerada.

Com a inflação rodando acima do centro da meta, mas bem encaixada no primeiro degrau do intervalo superior, a unanimidade na decisão de manter os juros inalterados também não surpreende. A hora é de dar duro para acalmar o câmbio e, por isso, se não dá para cortar a taxa de juros, o mínimo sensato a fazer é congelá-la.

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