Repórter Zé na Copa. depois do México

José Paulo Kupfer

17 de junho de 2014 | 20h00

Estou fazendo, nesta Copa, uma viagem da memória e no tempo, voltando 40 anos, quando eu era jornalista de esportes, no “Correio da Manhã”  e depois no “O Globo”.

No Correio, numa equipe fantástica – com Zé Trajano, Fernando Calazans, Marcio Guedes, Victor Garcia, Luis Roberto Porto, e tantos outros craques -, sob a chefia inspirada e iluminada de meu maior mestre, João Máximo, aprendi a procurar entender as dimensões de drama, comédia e tragédia dos esportes e, sobretudo, do futebol.

Foi uma das minhas melhores escolas de jornalismo e de perseguição permanente do bom texto.

Aqui vai o texto que publiquei no Facebook, nesta terça-feira, ao fim do empate decepcionante do Brasil com o México. Depois coloco o que publiquei no intervalo. E mais tarde, aos poucos, os comentários anteriores. Abraço a todos.

 

Repórter Zé na Copa, exausto de sofrer e bravo, depois do México:

Foi mal, mas foi bom. Vamos olhar pelo lado positivo. Uma vitória apertada seria melhor, mas nada está perdido. E, depois dessa exibição medíocre, a Seleção tem de dar duro e arrumar um um jeito de jogar mais eficiente. Se tivesse ganho na moleza, mas com um adversário tão fraco, poderia iludir e achar que estava tudo ótimo. Não está, todo mundo agora sabe.

A bola está com Felipão. O técnico tem de fazer mudanças. Fred não está dando. Bernard não é solução de nada. É o velho ciscador, dribla, corre e… zero de eficiência. Daniel Alves está irreconhecível — não marca e não apoia. Paulinho… parece que virou o fio.

Mas, antes de trocar jogadores, Felipão tem de encontrar umas jogadas de ataque. Assim, sem rumo, recorrendo apenas à habilidade de Neymar e de Oscar, na hora que bate o desespero e a turma de trás vem no embalo voluntarista, qualquer defesa, mesmo a do México, fraquinha, segura o rojão. Um lance, já no finalzinho, quando Neymar correu com a bola pelo meio em direção ao gol e foi cercado por cinco mexicanos, é a foto do jogo do qual o Brasil não pode ficar refém.

Todos os bons lances do Brasil saíram de bola parada ou centrões para a área. Podia ter funcionado, meio no fortuito, meio no abafa, como costuma acontecer nesse tipo de jogo. Mas aí tinha o goleiro mexicano. O cara brilhou. Não é desculpa.

Tem tempo e adversário fraco pela frente para a Seleção encontrar um jogo melhor. Vamos aguardar e torcer. Mas, se é certo que está tendo Copa, já é mais certo ainda que vai ter sofrimento.

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