Emprego industrial: resistência no limite

José Paulo Kupfer

12 de julho de 2014 | 12h56

O desempenho da indústria vem esfriando mês a mês. Assim, mesmo com suas peculiaridades, o emprego no setor só pode mesmo apontar uma tendência de baixa. Foi exatamente isso que mostrou a PIMES de maio, pesquisa mensal do IBGE que mede a situação do emprego e dos salários no segmento industrial.

Em maio, o emprego industrial recuou 0,7%, na comparação com abril, e de 2,6%, em relação a maio de 2013. Nessa comparação interanual, o emprego na indústria recua mês a mês desde outubro de 2011. A queda, em maio de 2014, foi a maior desde novembro de 2009 – o ano do auge da crise global instalada no último trimestre de 2008.

A resistência a demitir é uma das características específicas do setor industrial. Nele, a retenção de mão de obra costuma ser maior do que em outros segmentos pelo fato de que o empregado industrial tende a ser mais qualificado e bem treinado do que os demais. Costuma ser mais alta, portanto, o custo de admissão – há mais disputa por mão de obra no mercado – e também o de demissão. Além de os salários mais elevados levarem a custos de demissão também mais altos, ainda é preciso computar nos custos os gastos com treinamento de pessoal na fábrica e em cursos bancados pela empresa.

É nesse contexto que deve ser analisada a redução do volume de horas de trabalho pagas pela indústria. Em maio, como ocorre desde junho de 2011, com exceção dois meses de julho de 2011 e abril de 2013, elas continuaram recuando e caíram 0,8% sobre abril. Sinal de que as indústrias, de fato, antes de demitir, reduzem os turnos, suspendem contratos temporariamente e dão férias coletivas. Todas essas manobras, com vistas a reter trabalhadores até o limite, se reflete em redução do número de horas pagas.

Nessa mesma direção, a folha de pagamento real continua em alta, mostrando que, apesar da redução do ritmo de atividade no setor, a oferta de mão de obra mantém-se inferior à demanda. No mês de maio, a folha avançou 1,9% sobre abril e, em termos interanuais, cresceu 1,7%, quase dobrando o ritmo de alta em relação a abril.

Diversos indicadores sinalizam queda do emprego e da remuneração na indústria em junho. A combinação de recuo no pessoal ocupado e no volume de horas pagas sustentam as expectativas de um ano ainda mais fraco do que o anterior para o setor industrial, com encolhimento da produção e do emprego.

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