Retrato de um país que progride

José Paulo Kupfer

18 de setembro de 2009 | 20h11

Meu resumo, ultra-resumido, dos resultados da PNAD-2008: o bolo está crescendo e, ao mesmo tempo, sendo distribuído. Na maior parte dos indicadores demográficos, econômicos e sociais, os avanços, nos últimos anos, são consistentes, ainda que mais lentos do que o desejável.

É um retrato de antes da crise. Os dados, em geral, foram colhidos até setembro do ano passado. Haverá, quase com certeza, um soluço em 2009. Mas a expectativa é que, com a retomada do crescimento, os indicadores voltem ao trilho positivo.

Três aspectos, entre vários outros, me chamaram especialmente a atenção. O primeiro é o mercado de trabalho, com destaque para a formalização do emprego. De 2007 a 2008, um aumento de 7% . Indicação claríssima de quanto vale um período mais sustentado de crescimento.

Um outro é a queda na taxa de fecundidade, com um recuo expressivo. De seis filhos para dois, em quatro décadas em meia, a redução leva o Brasil para o limiar da estabilidade demográfica. Um dado estrutural, que reflete avanços de políticas aplicadas por vários governos ao longo do tempo.

O terceiro é a declaração de identidade do brasileiro. Pela primeira vez, o contingente declarado de pardos e pretos supera o de brancos. Como já se sabia, mas agora as estatísticas confirmam, somos, orgulhosamente, um país moreno.

Minha conclusão, diante dos indicadores, é a seguinte: crescimento econômico é o elemento fundamental para a melhoria das condições de vida, mas não inteiramente suficiente. É preciso que, aproveitando o ambiente de crescimento, os governantes promovam políticas ativas de inclusão social  – como é o caso da que resultou na expressiva redução do trabalho infantil.

Sem elas, os avanços serão lentos e, em alguns casos, lentos demais. Exemplo: a redução das disparidades regionais. Outro exemplo: a redução do analfabetismo.

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