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Rio 2016 – o desafio

José Paulo Kupfer

02 de outubro de 2009 | 18h28

Na emoção e no entusiasmo da vitória brasileira com as Olimpíadas de 2016, no Rio, resumi em uma frase curta o que, na minha opinião, significa o fato: o risco é enorme, mas as chances são muito maiores.

É isso. Podemos fazer como Barcelona, que sediou os Jogos em 1992, ou como Atenas, em 2004. Em Atenas, houve desvio de dinheiro e, depois do evento, poucos benefícios permaneceram. Já no caso de em Barcelona, a realização da Olimpíada tirou a cidade do limbo e lançou-a na primeira linha dos destinos turísticos mundiais e resultou em melhorias notáveis na qualidade de vida urbana. 

Leio que temos uma tradição de desperdiçar oportunidades. É verdade. Mas quantas tradições já fomos deixando pelo meio do caminho? Basta olhar para trás para confirmar que, aos trancos e barrancos, às vezes em velocidade mais baixa do que a desejável ou com recuos desanimadores, vivemos uma constante evolução. O fato é que, se tirarmos o paletó das preferências políticas e ideológicas, vamos conseguir perceber que, a cada geração, as oportunidades de melhorar de vida aumentam em nosso País.

Temos, agora, uma oportunidade realmente excepcional. A sinergia entre os esforços para a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 é óbvia e muito importante. E, tanto para uma quanto para outra, dispomos, se quisermos, dos ensinamentos do Pan de 2007, com seus muitos erros – e perda de oportunidades.

Os descrentes e os mais pessimistas deveriam considerar o fato quando, com o olho no retrovisor, duvidarem da capacidade brasileira para realizar os Jogos e preservar os benefícios dos altíssimos investimentos requeridos. Afinal, o carro da economia vai andar com mais combustível.

Os cálculos do comitê organizador da candidatura brasileira, obviamente otimistas, preveem investimentos de até R$ 29 bilhões, dos quais três quartos oriundos de recursos públicos, e a geração de 100 mil empregos diretos – não apenas no Rio, uma vez que os fornecedores a serem contratados também estão espalhados por outros estados e, no fim das contas, pelo mundo, já que empresas internacionais deverão participar das licitações. Um estudo elaborado pela Fundação Instituto de Administração (FIA), da USP, sob encomenda da candidatura brasileira, estima que mais da metade da massa salarial e dos empregos serão aplicados fora do Rio. O estudo também projeta um impacto econômico dos investimentos nos Jogos acima de R$ 100 bilhões, com repercussões ate 2027,

Na planilha oficial, o ressarcimento dos investimentos está previsto para 10 anos. Seriam cobertos, basicamente pelo aumento da atividade econômica antes, durante e, principalmente, depois dos Jogos, com o consequente aumento no volume de impostos arrecadados.

Além dos eventuais benefícios palpáveis, não se deveria desconsiderar os ganhos intangíveis que a escolha do Rio para sede dos Jogos de 2016 e a realização deles podem trazer. Não é qualquer país que pode se apresentar para sediar um evento planetário desse porte. E o Brasil agora entra para o seleto grupo deles. Temos aí, também, a chance de chutar para escanteio nosso velho complexo de vira-latas.

Há quem pergunte por que os investimentos em infra-estrutura urbana e preservação (ou recuperação) ambiental precisaram da gorda e cara cenoura de uma Olimpíada para ganhar corpo. A indagação até faz sentido, mas, agora, não cabe perder tempo buscando respostas. Esses investimentos são necessários e o desafio é o de fazê-los, com o mínimo de desperdício e o máximo de benefícios permanentes.

Sediar os Jogos Olímpicos não é mais um sonho impossível. Será que o sonho impossível agora é o de superar o desafio de realizá-los com êxito? Quantos sonhos impossíveis teremos de vencer para confiar em nós como um país de que podemos nos orgulhar?

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