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Selic nos dois dígitos

José Paulo Kupfer

18 de outubro de 2013 | 09h43

A ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, desempatou o jogo das previsões para o nível em que a taxa básica de juros chegará no fim de 2013. Se havia equilíbrio entre os que apostavam numa alta de 0,25 ponto porcentual e os que cravavam uma elevação de 0,5 ponto, agora a convicção de que a taxa Selic irá de 9,5% ao ano para 10%, na última reunião do Copom deste ano, em fins de novembro, passou a ser majoritária.

É possível listar, na leitura da ata, uma série de referências específicas – e não muito animadoras – em relação às perspectivas da inflação. Esse conjunto de menções orientou a comunicação que levou os analistas a entender que o Copom ainda não se sente confortável com a trajetória dos preços. E que, portanto, a alta dos juros chegaria aos dois dígitos ainda este ano.

A ata ressalta, por exemplo, que a inflação dos bens e serviços não comercializáveis (aqueles que não sofrem concorrência de importados) continua em níveis elevados e a de comercializáveis (que podem sofrer concorrência de importados) em elevação. E também volta a destacar que a inflação mostra resistência. Essa resistência se concretiza em projeções do próprio Copom, consignadas no documento, segundo as quais a inflação ficará acima do centro da meta pelo menos até o terceiro trimestre de 2015.

Se, depois da divulgação da ata, ocorreu uma maior concentração de apostas na direção da chegada da taxa Selic aos dois dígitos em novembro, existe ainda uma dispersão considerável nas avaliações sobre o momento do fim do atual ciclo de alta e seu nível. As mensagens contidas na ata da reunião de outubro parecem não terem sido suficientes para determinar preferências claras.

O debate agora, entre os analistas, é se a Selic, depois de atingir os famos dois dígitos, vai estacionar nesse ponto ou avançará, no primeiro semestre de 2014, a pelo menos 10,25% ou mesmo chegará a 10,5%.

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