Setor externo e Caged: mês bom, ano a conferir

José Paulo Kupfer

24 de julho de 2013 | 12h43

As informações econômicas não são lineares. Tendo essa verdade simples em mente, é sempre prudente lidar com as informações de curto prazo, caso típico dos indicadores macroeconômicos, numa perspectiva de horizontes mais largos e contextualizados.

Nesta terça-feira, por exemplo, Banco Central e Ministério do Trabalho divulgaram os resultados do setor externo e da criação líquida de vagas no mercado de trabalho formal, no mês de junho. Os números, nos dois casos, surpreenderam positivamente. Isso quer dizer que a economia, finalmente, ganhou impulso?

A resposta é: provavelmente não. Mas, também nesse caso é preciso contextualizar e completar que apenas pelo comportamento desses indicadores não dá para concluir nada com certeza.

Em relação ao setor externo, junho foi uma beleza. O saldo comercial, depois de vários meses tropeçando, voltou a mostrar valores positivos (sim, são as exportações de grãos começando a entrar), o que ajudou a segurar o déficit em conta corrente em US$ 4 bilhões, cerca de US$ 1 bilhão abaixo das expectativas do mercado. E o investimento externo direto (IED), com todas as informações pessimistas sobre a economia brasileira, alcançou, no mês, US$ 7,7 bilhões (a expectativa era de US$ 5 bi). Esse resultado reforçou a expectativa de que, no ano, o volume de IED alcance pelo menos US$ 55 bilhões.

Espera-se, no segundo semestre, ritmo menor no aumento do déficit em contas correntes, mas a o pico de US$ 80 bilhões ainda está no radar. Quanto à cobertura desse buraco, se o IED não será, como em anos anteriores, suficiente para fechar a conta, a aceleração na entrada de recursos externos para aplicação em renda fixa, depois da retirada de IOF, segundo os analistas complementará o que falta sem maiores apertos.

Também no caso do Caged, junho veio melhor do que se esperava. Foram criados 124 mil postos novos, mesma marca registrada em junho do ano passado. Com dados ajustados, o resultado de junho é quase quatro três vezes superior ao de maio. Em junho, foram criadas 58 mil vagas ante apenas 14 mil, no mês anterior.

Essa retomada, porém, não significa que a criação de empregos, em 2013, será melhor do que em 2012. A abertura de novos postos de trabalho, no primeiro semestre deste ano, num total de 830 mil, foi a menor desde 2009, ano do pico da primeira fase da crise deflagrada com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008. O Ministério do Trabalho, inclusive, reduziu a previsão de novos postos de 1,7 milhão para 1,4 milhão, em 2013. E muitos analistas projetam a criação de menos de um milhão de novas vagas, no ano.

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