Tarometria em transe

José Paulo Kupfer

16 de abril de 2008 | 15h29

O mais recente boletim Focus, do Banco Central, com data de 11 de abril, saiu com resultados interessantes. Os analistas de mercado que, semanalmente, estimam as variáveis macroeconômicas para o ano e o próximo, estão achando, pela primeira vez em 2008, que a inflação, medida pelo IPCA, terminará o ano acima do centro da meta, fechando em 4,66%.

Claro que o interessante não é isso. Não é a primeira vez que o boletim Focus sai com estimativas de inflação acima do centro da meta. O interessante da coisa é que os analistas também projetam um aumento da taxa básica de juros – na tarometria deles, os juros Selic, no fim do ano, fecharão em 12,75% ao ano. Um bom puxão de 1,5 ponto porcentual, em relação ao nível atual. Quer dizer, estão prevendo que, mesmo com a alta dos juros, a inflação continuará dando as caras.

Conclusão: ou eles acham que a taxa de juros deveriam subir mais ainda do que projetam, para, de fato, segurar a inflação, ou estão considerando que pressões políticas impedirão uma alta dos juros suficiente para dar conta da inflação mais pesada que, eles estimam, vem por aí.

Tem mais coisas interessantes no Focus desta semana. Das melhores é a projeção de uma acelerada deterioração da balança em contas correntes. Agora, os analistas estimam um déficit em contas correntes de US$ 16 bilhões de dólares no ano. Há um mês, projetavam saldo negativo de US$ 9 bilhões – queda de um terço em meras quatro semanas. Na futurologia do Focus, no fim de 2009, o rombo já terá alcançado US$ 30 bilhões.

Na área externa, o gato subiu mesmo no telhado.

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COMENTÁRIOS

Enviado por: José Porfiro

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Agora não tem jeito. Pode fazer análises e mais análises. Depois que foi realizada a estabilização. Um dos castigos, obrigatórios, foi o aumento da dívida pública. O país está a mercer das chatagistas. O presidente do Itaú já declarou que é necessario subir os juros. Espera-se o que mais?

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Enviado por: MAG

O IPCA (acum. 12 MESES) em jan./07 = 2,99; jan./08 = 4,56; mar/08 = 4,73. Infelizmente é uma série ascendente e explosiva.

Não duráveis partiu de 1,71 para 9,90%.

A taxa de juro de mercado de lp também estava com tendência ascendente (já havia ultrapasasado a selic). A atuação do BC fará as taxas de lp começarem a ceder (expectativas de queda da inflação), a selic em seguida poderá acompanhar a queda. Crescimento com taxa básica abaixo da de mercado sempre termina em crises (vide USA e as demagogias de nosso passado). Foram 20 anos de estagflação! Temos que aprender com a história.

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Enviado por: BOB JEFF

Economia é uma ciência social que

tem como princípio básico a relação

diretamente proporcional do poder

econômico.

Quem pode mais perde nunca.

Se alguém ganhou é porque alguém perdeu.

Aplica-se a ela também o princípio da osmose.

Fala-se tanto num assunto fictício(factóide) que ele passa a ser ‘verdade’.

Exemplo:- O Banco Central está

monitorando o possível aumento

inflacionário a partir do aumento da demanda e, se necessário aumentará a Selic.

Bingooooo!

Com a sua ‘autoridade’ criou a expectativa e a matraca giratória do mercado passa a falar/difundir a mesma coisa.

Logo é uma verdade irrefutável.

Uma irresponsábilidade nada

científica e proposital na direção

do ganho fácil do capital estrangeiro

em terras tupiniquins.

Abaixo o Enrique cimento ilícito!

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Enviado por: nada será como antes

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Projetar aumento de juros por conta de suposta subida inflacionária é atitude descabida. Revela ansiedade e fragilidade analítica.

É claro que o BC tem enorme carga de responsabilidade, mas considerar que a alta nos preços de alimentos será transferida para os demais setores da economia não tem qualquer respaldo objetivo.

Parece que existem forças poderosas interessadas em brecar o crescimento. Forças com poltrona de espaldar alto.

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Enviado por: MAG

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Economia é uma ciência social-política, nem mais nem menos que outras. Apenas as ciências auxiliares ou complementares são 100% exatas. Toda ciência fim ou aplicada tem as suas condições de ambiente e temperatura (mas ignora-las é pior que estuda-las). O Delfim, que não atualizou-se e não domina muito bem a ciência, apesar de toda a sua vivência e experiência (um dos responsáveis pela hiperinflação brasileira e pelas duas décadas perdidas), quer que o BC escute-o, mesmo sem estar com o peso da responsabilidade nas costas (e um passado nebuloso). Como não domina a ciência, fala que a mesma é arte (para quem não sabe a ciência e também não ser bom artista, é o mesmo que nada). Mesmo com o poder da ditadura, condenou-nos a 20 anos de estagflação. A turma que implantou a meta de inflação, o câmbio flutuante e o superávit primário será registrada na história como a vitoriosa (trouxe o bom senso em economia para o Brasil, desmistificou os mágicos). O estudo da teoria econômica acerta nas tendências, exige acompanhamento e monitoramento (da mesma maneira que a medicina, cada caso é um caso). A inveja deve estar matando o mago (que agora todos sabem que é mágico).

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Enviado por: Julio

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O gato subiu no telhado, lá em Wall Street, debaixo de uma chuva fina e persistente. Aquele tipo de chuva que deixa a telha bem encharcada e escorregadia.

Aparentemente, o gato continua firme, usando seus truques de gato, enquanto a chuva persiste.

Talvez nem caia lá de cima do telhado.

O problema é que toda vez que espirra, o mundo pega uma gripe.

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Enviado por: Fabiano

Uma vez, em uma aula de Introdução à Economia, eu falei que Economia era uma das ciências mais esotéricas que existia… o povo queria a minha cabeça…

O problema é que os economistas ligados ao governo (ou mesmo a instituições de risco, bancos etc) são também um pouco políticos, porque sempre têm a intenção de influenciar o mercado com seus números, ou com seus chutes. E, como em toda guerra, a verdade costuma ir pra cucuia muito cedo…

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Enviado por: Wagner

Mais uma vez o BC prepara o Brasil para mais um “voô de galinha”.

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Enviado por: Marcelo

Então alguns analistas também imaginam que muitas barreiras comerciais americanas serão derrubadas no novo governo seja ele republicano ou democrata. Isso cria uma maior demanda dos produtos brasileiros… Essa demanda criará inflação aqui na terra de Vera Cruz. Prevejo, então, juros de 15% ao final de 2009. Assim poderemos exportar toda a nossa produção minorizando a demanda interna… Ou, noutra possibilidade, fechamos as portas e atendemos somente o mercado interno, isso geraria deflação e os juros deveriam cair até o fim de 2009 para uns…5%?

Até eu, que não sou economista, acho que tem alguma coisa errada nessa linha de pensamento.

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Enviado por: BOB JEFF

Há que se acabar com essa rapinagem especulativa em

cima dos países emergentes.

Falam mal do ‘Hugo’ mas, será

que en Venenzuela es asi, como

acá?

A serviço de quem estará o BC.?

Não precisa responder…

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Enviado por: Romanelli

“..TODOS os analistas acham que a taxa vai subir…” (Seindemberg)

Tenho visto o analista falar isso quase todo dia na CBN há umas 3 semanas

Não é só o mercado que fala, mas tb seus VENTRÍLUCOS, o PIG institucional, por ex, MISS MIRIM LITLE PIG (Leitão pros íntimos)

0,25% de juros na divida deve dar algo como R$ 3 BILHÕES de juros. Já imaginou qto isso poderia fazer na saúde? Nas estradas? pois é …e na inflação hein? no consumo, em terras de 10% ao MÊS
essa farra é feita com o dinheiro pago pelos pobres nos impostos

Tudo muito triste, aí dum lado, a nação não sabe das implicações, fica vendida, sem revolução, sem contrangimento, sem protesto nem indignação

Doutro lado, Delis Ortis tenta mais uma vêz escandalizar a nação c/R$ 39,00 duma refeição, “infinitamente pior, “muito pior” que os R$ 8,50 de uma tapioca

R$ 39

R$ 3.000.000.000

sem duvida meu professor de matemática tinha razão, o “ZERO” não vale nada mesmo

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Enviado por: Cláudio Freire

Nisto tudo, a pergunta do Delfim Neto é certeira: 4,5 % é centro ou é teto? Para que ter centro e intervalos de 2 % acima e abaixo da meta?

Comentários

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