Tempo para se defender

José Paulo Kupfer

19 de setembro de 2013 | 13h05

Os investidores foram pegos de surpresa pelo “recuo” do Federal Reserve, que não iniciou ontem a reversão de seu programa de injeção de liquidez na economia americana. A reação dos mercados foi imediata e forte, com alta nas bolsas, derrubada dos juros nos Estados Unidos e recuo nas cotações do dólar em todas as partes do planeta.

No caso do Brasil, a cotação da moeda americana caiu quase 3% e fechou a menos de R$ 2,20, nível difícil de imaginar não faz muito tempo. Poderia parecer que os famosos fundamentos da economia brasileira – suspeitos óbvios, mas não necessariamente os principais culpados, das intensas oscilações do real, nos últimos meses – melhoraram da noite para o dia. Mas, claro, não é nada disso.

A chacoalhada refletiu, como tem sido rotineiro, a instabilidade dos mercados, em tempos de intervenções pesadas dos bancos centrais das economias maduras e das revoadas de nuvens de gafanhoto financeiras, alimentadas, justamente, pela exuberância de liquidez produzida por políticas monetárias ultraexpansionistas.

Investidores mundo afora rangeram os dentes quando se viram obrigados a desfazer posições para tentar minimizar prejuízos provocados por apostas que se mostraram afoitas. Mas o fato é que o Fed temeu iniciar um retorno à antiga normalidade, mesmo a conta-gotas, como muitos pensaram que seria o caminho escolhido, por razões mais do que aceitáveis. O cenário, afinal, é de uma recuperação da atividade econômica nos EUA ainda hesitante.

O Fed não marcou data para iniciar a reversão dos estímulos e condicionou a decisão à evolução dos números da economia. Riscos de contração fiscal, derivados de eventuais impasses políticos no Congresso, continuam presentes.

Com a piscada do Fed, as economias mundo afora, principalmente as emergentes, adquiriram tempo para buscar salvaguardas que as protejam dos ajustes de liquidez que virão em algum momento.

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