Tensão em torno da Selic

José Paulo Kupfer

19 de abril de 2010 | 18h24

O clima no mercado, a uma semana da definição da nova taxa básica de juros, está mais tenso do que em outras vésperas de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Parece que não se trata apenas de afinar a taxa de juros Selic para conter um apregoado aquecimento exagerado da demanda.

 Depois dos tremeliques produzidos pela manutenção dos juros básicos, em março, e dos ruídos produzidos pela ata da reunião do mês passado e pelo Relatório de Inflação, divulgado logo depois, a questão, segundo análises correntes no mercado, é recuperar ou deixar desandar de vez a credibilidade do Banco Central, no controle da inflação. Como enfrentar tamanho desafio?

Muito fácil. Basta, dizem analistas, elevar a taxa básica em 1 ponto porcentual. Assim, de acordo com a lógica do mercado, ficará mais do que claro que o BC não dará espaço para apostas contra o controle da inflação e sua condução para o centro da meta. Credibilidade, portanto, restabelecida. Agora, se a alta decidida pelo Copom ficar em 0,5 ponto – aí, danou-se. Pelo sim, pelo não, a manada sentou praça numa alta de 0,75 ponto.

Mas, essa proclamação por aumentos maiores na taxa básica pode ter também objetivos muito menos nobres. Seria um esforço para compensar os clientes levados a apostar na alta que não veio. E resgatar não a “credibilidade” do BC e sim a dos negociantes de papéis junto à clientela.

Vou logo avisando, antes que atirem, que não sou eu quem levanta a suspeita. É gente do próprio mercado, de mais de um banco de investimento.

A rapaziada do nosso mercado financeiro não é nenhum Fabrice Tourre, o criativo executivo do Goldman Sachs envolvido numa suspeita de fraude, em que o próprio banco apostava contra derivativos subprimes que ele mesmo recomendava. Mas também tem as suas manhas, né mesmo?

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