The Economist peca por excesso ao falar de excessos brasileiros

José Paulo Kupfer

12 de fevereiro de 2010 | 17h55

A edição desta semana da prestigiosa revista inglesa The Economist traz mais uma reportagem sobre o Brasil. Desta vez, a publicação, no seu texto elegante e em geral irônico, faz uma analogia entre os excessos do carnaval brasileiro e os excessos que estariam sendo cometidos na economia, sobretudo na área fiscal. No “Radar Econômico”, blog do colega Silvio Crespo, aqui no site do Estadão, tem um resumo competente da reportagem e um link para a íntegra do texto original.

Pode-se dizer, no caso desta nova reportagem, que mais do que o Brasil, no carnaval e na economia, foi a The Economist que pecou por excesso. A revista, com todo o respeito, traçou uma visão excessivamente caricatural tanto de uma coisa quanto da outra. O resultado é exatamente o inverso de tudo aquilo que fez a fama da revista: em lugar de descobrir novos e inesperados ângulos de assuntos batidos, apenas reforça o lugar-comum.

Com base em notícias de jornal e relatórios de bancos, a Economist enrolou-se no próprio novelo que teceu. Dá como certa uma ainda controvertida escalada da inflação e repete o mantra do mercado financeiro, também sujeito a chuvas e trovoadas, segundo o qual a taxa de juros é alta porque os gastos públicos passam da conta.  

Deriva da, vamos falar com franqueza, preguiça na apuração uma conclusão assim, assim, que expõe uma mal disfarçada contorção mental. “Se o governo continuar gastando como gasta, a taxa de juros continuará alta e isso restringirá a taxa de crescimento sustentável da economia a cerca de 5%”, escreve a The Economist. “Isso não é ruim, na comparação com o passado recente, mas não tão bom quanto poderia ser”.

Dá para imaginar o que escreveria a The Economist, horrorizada com uma tal expansão irresponsável, se o Brasil conseguisse manter uma taxa de crescimento, “tão boa quanto poderia ser”, de uns 8% a 10% ao ano…

E, vem cá, crescimento sustentável de 5% não está de bom tamanho?

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