Trégua no câmbio

José Paulo Kupfer

23 de setembro de 2011 | 18h01

A cotação do dólar escoiceou como potro chucro nos últimos dias, mas terminou a semana relativamente contida. Devolveu, nesta sexta-feira, o salto do dia anterior, mas acumulou uma alta, em cinco sessões, de 6,5%. Impossível saber se foi por cansaço momentâneo ou se o bicho começou a aceitar ser domado.

O governo forneceu liquidez, vendendo dólar no mercado futuro e desistindo das recompras já previstas para outubro. Trabalhou também no gogó, assegurando, em nota do Banco Central, que forneceria a liquidez necessária, quando julgasse ser o caso.

Declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a respeito do caráter regulatório do IOF – que, por isso, pode ser imposto e retirado a qualquer momento – foram interpretadas como sinal de que o imposto sobre posições vendidas no mercado futuro de câmbio pode ser retirado. Em torno desse IOF, mercado e Banco Central travaram uma queda de braço, nos últimos dias.

Um aspecto que dever ser levado em conta: a cotação do dólar, no mercado cambial brasileiro, recuou, assim como tinha disparado, sem que houvesse mudanças fundamentais no ambiente.

O tumulto europeu continua sua marcha para o possível precipício de uma crise bancária e o dólar permanece aspirando recursos das nuvens de gafanhoto que entraram em zona de aversão a riscos.

Agora um detalhe que não deveria ser esquecido: o fluxo cambial em setembro, até a quarta-feira, era positivo em US$ 10 bilhões, cerca de 80% em razão do saldo comercial e o restante na ponta financeira.

Com câmbio não se brinca, mas esses são pontos que reforçam a perspectiva de que, quando os aplicadores conseguirem ajustar suas posições no mercado futuro, a cotação do dólar encontrará uma faixa menos volátil para se acomodar.

Ainda que seu piso, possivelmente, não volte, pelo menos tão cedo, a níveis inferiores a algo nas vizinhanças de R$ 1,70 por dólar.

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