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Um conto de Natal

José Paulo Kupfer

24 de dezembro de 2010 | 16h09

Reunidos, discretamente, durante uma semana, vários economistas discutiram como acelerar o processo de crescimento, com foco na distribuição de renda, sem descontrole da inflação nem aumento da carga tributária. No encontro, estiveram presentes profissionais respeitados da academia, do mercado financeiro e das entidades de classe, num congraçamento jamais visto de linhas e tendências de pensamento.

O convite para o encontro, que chegou ao email dos participantes, não tinha assinatura. Mas o conteúdo da convocatória era instigante e, por isso, nenhum dos destinatários teve dúvidas em atendê-lo, mesmo sem saber bem o que iria acontecer nem o que iriam fazer. O autor era alguém que habitava esferas superiores e pregava a paz e a prosperidade entre os homens.

No texto, havia indicações de como chegar ao local, uma pequena propriedade na região serrana do Rio de Janeiro, e instruções sobre hospedagem e programa de debates. O signatário anônimo do email lembrava que os avanços registrados no Brasil há pouco menos de duas décadas apontavam reais possibilidades de enfim superar seculares chagas sociais brasileiras. Mas, para isso, considerava imperioso acabar com as divergências teóricas e conclamava os profissionais a se reunirem para encontrar as convergências necessárias e tornar possível.

 Ao fim do encontro, sem que o signatário do convite tivesse aparecido, embora a força moral de sua convocatória fosse sentida em todos os cantos e momentos, os participantes do encontro divulgaram uma declaração conjunta. Eis aqui, com exclusividade, o conteúdo da declaração, que levou o nome de “Carta da Esperança, da Paz e da Prosperidade”

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“Carta da Esperança, da Paz e da Prosperidade”

“Depois de uma semana de debates e trocas de ideias, chegamos à conclusão de que, independentemente da formação, ideologias e filiação teórica, todos temos contribuições a oferecer para o objetivo de elaborar políticas eficazes para um crescimento consistente do ponto de vista econômico, sustentável em suas dimensões ambientas e, sobretudo, socialmente justo e inclusivo.

Admitimos que temos sido arrogantes na defesa de nossas posições e intolerantes em relação a outros modos de pensar. Por isso, não raro, temos sido tentados a desprezar, sem a devida e acurada análise, os argumentos contrários, tratando logo de desqualificar os que, simplesmente, pensam diferente.

Reconhecemos agora, na virada para 2011, que se completa um ciclo razoavelmente bem sucedido de conquistas econômicas e sociais, depois de quase duas décadas de inéditos progressos, ainda que mais lentos do que desejávamos – uma lentidão que, em parte, talvez se deva às desavenças entre nós, que levaram a desvios e distorções na elaboração e aplicação de políticas públicas.

Concordamos que as reformas institucionais levadas a cabo na primeira quadra do ciclo formaram uma base suficiente para que políticas de inclusão pudessem ser aceleradas e bem desenvolvidas na quadra seguinte. As pressões macroeconômicas que se formaram com a aplicação mais intensiva dessas políticas, por razões de diversas ordens, na quadra anterior e na que se encerra, não configuram obstáculo intransponível para que o País caminhe, com firmeza, no rumo da erradicação da miséria, da superação da desnutrição infantil, da eliminação do déficit habitacional e universalização do saneamento básico, e, principalmente, da melhoria substantiva nos índices de educação e saúde da população.

Declaramos nossa esperança em que, a partir de 2011, com maior tolerância e espírito de cooperação, possamos contribuir mais e melhor para o bem-estar de amplas maiorias da população. E reafirmamos que é em nome desse objetivo que devemos desenvolver todo o esforço de aquisição e atualização de conhecimento em nossa área de atuação.

 Brasil, Natal de 2010

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