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Um tiro nas metas de inflação

José Paulo Kupfer

21 de agosto de 2008 | 15h16

Ao reduzir bruscamente a taxa de juros (de 5,25% para 2% em um intervalo de seis meses), para enfrentar a crise deflagrada pelo setor imobiliário, o Fed provavelmente matou o sistema de metas de inflação. A avaliação é de Ben Steil, diretor de economia internacional do poderoso think tank americano Council on Foreign Relations.

Em artigo publicado ontem, 20 de agosto, no Wall Street Journal, Steil critica duramente a opção do Fed de afrouxar a política monetária a qualquer custo para evitar uma recessão. O analista acredita que o país demorará mais tempo para se recuperar da crise por causa da escolha do Fed.

Steil é daqueles falcões da política monetária, para os quais não se deveria tentar evitar os impactos negativos da crise das hipotecas na atividade econômica. Segundo ele, é do jogo que erros do tipo produzam atribulações no ritmo dos negócios. Ele lamenta, portanto, a sedução, a que o Fed de Ben Bernanke teria sucumbido, ao usar um instrumento de estabilização monetária na tentativa de evitar uma recessão.

Mesmo discordando de Steil quanto à prioridade do Fed (combater a recessão) e quanto ao bom funcionamento do sistema de metas, é inevitável aceitar seu argumento: ao não atrelar a política monetária exclusivamente a um obsessivo controle da inflação, o Fed, involuntariamente, tem atirado contra o sistema de metas.

Os que não vêem o sistema de metas de inflação como o mais adequado para lidar com o conjunto dos atuais desafios econômicos costumam ser acusados pelos falcões monetaristas de aceitar um pouco mais de inflação em troca de um pouco mais de crescimento. É uma óbvia mentira que, de tão repetida, faz sucesso entre os mais rústicos e serve para tentar esconder as limitações estruturais do sistema. 

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