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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Um tom acima

José Paulo Kupfer

26 de abril de 2013 | 17h20

No sistema de metas de inflação, a prioridade do Banco Central é manter a inflação sob controle, fazendo-a convergir para o centro da meta. Contudo, isso não significa, como defendem alguns, que a trajetória do nível de atividades deva ser simplesmente ignorada.

A evolução dos preços é influenciada pelo comportamento da economia e, portanto, essa variável, ainda que não configure uma meta a ser perseguida, tem óbvio peso nas decisões sobre os juros básicos. É o caso de ter coisas assim em mente para entender as mensagens da ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira. As menções aos sinais de recuperação da economia no primeiro trimestre, sem igual convicção sobre os próximos, dá o tom para que se avalie o tamanho da dose e até onde pode ir o ciclo de altas dos juros, iniciado em abril.

A ata não deixa dúvidas sobre a preocupação do Copom com o persistente estacionamento da inflação acima do centro da meta. Se dúvidas restassem, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, em discurso também nesta quinta-feira, em São Paulo, tratou de dissolvê-las. Ele avisou que o BC poderá ser “instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária (da taxa Selic).”

Essa ênfase uma nota acima das comunicações anteriores, no entanto, veio temperada na ata pelas incertezas a respeito da recuperação da economia – tanto a doméstica quanto a internacional. Foi o que levou analistas a reafirmar a expectativa, formada logo depois da decisão de elevar os juros básicos em 0,25 ponto, de que a estratégia do BC é promover a elevação dos juros básicos em sucessivas pequenas doses.

Mas, depois da manifestação do diretor Carlos Hamilton, que dificilmente falou apenas em nome própria, aumentou a possibilidade de que o tamanho das doses aumentem. Ou, então, a extensão do ciclo de alta vá além do imaginado antes da ata.

 

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