Viés de alta para 2013

José Paulo Kupfer

31 de agosto de 2013 | 16h07

Depois de muitas revisões para baixo, chegou a hora de revisar para cima as projeções do crescimento da economia em 2013. Esse movimento é praticamente inevitável e está sendo determinado pelo surpreendente resultado da variação PIB, no segundo trimestre em relação ao primeiro deste ano – equivalente a uma expansão de 6,1% em termos anualizados. Economistas já calculam que, mesmo sem avanço algum no segundo semestre, a expansão econômica de 2013 ficará mais perto de 2,5% do que de 2%, como projetavam até agora.

Ocorre que, se na linha do tempo do PIB de 2013 o passado recente foi uma surpresa positiva, o presente promete estagnação. As previsões para o terceiro trimestre do ano, decorridos dois dos seus três meses, na comparação com o trimestre anterior, apontam para um intervalo que vai de uma pequena retração a uma modesta expansão, convergindo para a estabilidade. Não só a base de comparação ficou mais alta como os indicadores já conhecidos do trimestre em curso mostram que a atividade econômica atolou, no período, em terreno movediço.

Ainda assim, a tendência para o PIB deste ano, agora é de alta. Espera-se que a economia volte a crescer no último quarto do ano, só que em ritmo morno, no entorno de 0,5% sobre o trimestre anterior. Caso confirmada a estimativa, 2013, de todo modo, terminaria melhor do que parecia até agora. Mas a fraqueza do segundo semestre não ajudaria a entregar uma base consistente de crescimento para 2014. As projeções para a expansão da economia no próximo ano estão com viés de baixa.

Algumas forças, já atuantes no segundo trimestre , estão vivas e presentes, podendo alterar o desenho dos cenários projetados, dependendo da intensidade dos movimentos cruzados que possam provocar. De um lado, a inflação parece ter colaborado para segurar o consumo das famílias, que cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre. De outro, as desvalorizações cambiais parecem ter começado, finalmente, a ajudar as exportações, que avançaram robustos 6,9% sobre o trimestre anterior.

Entre essas duas forças, a interferência do Banco Central, elevando os juros básicos, tende a conter o consumo doméstico. Talvez contenha também o investimento, que cresce desde o último quarto de 2012, e pode resistir se as prometidas concessões do segundo semestre chegarem em tempo a bom termo. Essa possível restrição ao crescimento, contudo, pode ser compensada pelas exportações que, diante de uma taxa de câmbio mais estimulante e, tanto ou mais do que isso, com a confirmação de melhora prevista para o ambiente externo, pode encontrar espaço para avançar com maior aceleração.

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