2020 – Década do envelhecimento saudável

2020 – Década do envelhecimento saudável

Claudia Miranda Gonçalves

28 de janeiro de 2020 | 10h00

Um artigo do site The Visual Capitalist (https://www.visualcapitalist.com/aging-global-population-problem/) me chamou atenção por trazer um gráfico que ajuda a VER o envelhecimento por país e a projeção de como estaremos em 2060 (eu estarei na contagem regressiva para 100 anos!!!! Ou serei uma estrelinha no céu).

Em alguns países já há mais idosos que adultos produtivos (entre 20 e 64 anos). Em muitos isso acontecerá na próxima geração, como no Brasil.

As futuras gerações terão que lidar com o impacto de uma expectativa de vida crescente e de uma taxa de natalidade decrescente. Os dados dos gráficos são da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mas incluem países não membros também. Em 2050 seremos 10 bi de pessoas neste planeta, 2,3 bi a mais que hoje e vivendo muito mais tempo. O número de idosos por centena de pessoas trabalhando vai triplicar. Em 1980 eram 20 idosos para 100 trabalhadores; já em 2060 serão 58 para cada 100 trabalhadores.

Globalmente a população trabalhadora sofrerá um declínio de 10% até 2060.

 

 

Em 2050, pessoas +65 serão em maior número que adolescentes e jovens adultos e representarão mais que o dobro do número de crianças abaixo de 5 anos (dados da ONU, 2019).

Deixando os tópicos sobre aposentadoria, custos com planos de saúde, redução de crescimento das economias com os economistas e cientistas políticos, gostaria de puxar a conversa para o ponto de vista mais pessoal.

 

Vida longa e prosperidade

Como as novas tecnologias e inteligência artificial podem ser mais inclusivas no trabalho? Se por volta de 2060 teremos menos gente trabalhando do que o mundo precisa, alguns seniores de +65 estarão na ativa! O caminho da humanização das tecnologias deve levar essa parcela da população em conta.

Precisamos poupar mais: poupar mais dinheiro, poupar nossos corpos que agora deverão aguentar mais tempo. O chamado é para a parcimônia e maior tranquilidade. Cuidar para ir mais longe com qualidade de vida.

Cuidar das relações, pois teremos muito tempo para o convívio social, que deverá ser tecido ao longo de nossas vidas. Cuidar da saúde, bebendo menos, comendo menos.

Aos 90 anos, imagino que prosperidade para mim será poder levantar sozinha, realizar os cuidados básicos por mim mesma, poder me reunir com meus amigos. Ser lúcida.

E as empresas? Com mais gente sacando de suas economias e fundos de pensões para custear suas necessidades básicas, que mundo e que oportunidades aparecerão? Teremos empresas focando seus produtos e serviços nas pessoas +65 ou +80? O que as empresas estão fazendo para aprender sobre essa parte da população? Certa vez numa palestra ouvi que as agências de propaganda estudam as pessoas até 49 anos…depois vira uma caixa preta (não sei se ainda é assim; isso ouvi em 2017).

Eu quero mais que asilos e cuidados paliativos quando for velhinha! Casas de idosos e assistência médica não são exatamente meu sonho de consumo.

Alguém precisa começar a dedicar tempo aos +65, pois ficarão mais tempo por aqui.

Para essa vida longa, cada pessoa precisa refletir sobre seu sentido, ultrapassando o plano utilitário (trabalhar). Qual seu propósito? Qual sua razão de ser? O que lhe faz acordar todos os dias? Desejar mais um dia? Como continuar participando e contribuindo para o mundo?

A verdade é que essas dicas todas acima eu peguei dos japoneses, que adotam a filosofia do ikigai. Não sei quanto de fato conseguiremos nos adaptar ao ikigai, mas acho que vale a pena ver o que estão fazendo aqueles que hoje, de longe, já são os mais longevos.

Já que vamos adentrar a década do envelhecimento saudável, vamos pensar na saúde mais ampla: corpo, mente, social, financeira, espiritual e do nosso propósito.

 

Saúde e prosperidade a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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