5 Vitaminas para mudança

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

5 Vitaminas para mudança

Claudia Miranda Gonçalves

14 de julho de 2020 | 10h00

Gostaria de trazer uma reflexão sobre como alguns padrões da natureza podem nos ajudar a compreender desse momento tão difícil de situar naquilo que conhecíamos. Escuto falar de novo normal, diversas profecias de como o mundo será. Tenho me abastecido na contemplação do funcionamento da natureza para poder relembrar suas lições e de que também fazemos parte dela.

  1. Resiliência

A resiliência em sistemas vivos é a capacidade de absorver uma perturbação ou interferência e ainda se manter funcional. Alguns sistemas em nossa sociedade não são tão resilientes quanto outros. Quais sistemas estão demonstrando resiliência – e quais estão perdendo sua capacidade em funcionar?    

É importante que surjam novos padrões para os sistemas que não estão funcionando bem. Sabemos disso, mas, por que romper padrões é difícil? Somos apegados à forma. Nos agarramos a padrões, pois, de algum jeito, padrões nos atendem na necessidade básica de pertencimento.  Num departamento, o ritmo cardíaco é praticamente um; usamos jargões que nos identificam numa tribo, adotamos melhores práticas. Padrões nos liberam energia e atenção para o novo e, ao mesmo tempo, podem nos prender em pilotos automáticos que perdem sentido com o tempo. Você já deve ter ouvido a frase:

“Não espere resultado diferente se continuar fazendo a mesma coisa.” O grande exercício é parar de pensar no padrão e focar em propósito.

 

  1. Atenção às condições iniciais

Efeito dominó, cascata, borboleta…não importa a metáfora: o importante é entender que foi necessária a soma de muitos pequenos e grandes fatores, recentes ou muito antigos, vindos de diversos sistemas para formar a tempestade perfeita.

Como interromper padrões tóxicos? Vícios? Como perceber e ouvir o que está querendo surgir?

O que temos que soltar enquanto sociedade? Como isso mexe comigo ou com meu queijo?

 

  1. Limiares e Mudança do/no Sistema

O limiar é uma fronteira que, quando cruzada, pode mudar o sistema como um todo. Por exemplo, se um rio for inundado por água do mar, a vida que prosperava no sistema de água doce não terá suporte nesse ambiente, mas a vida de água salgada sim. Um novo ecossistema surge ali. Estamos em um limiar? Que forma social de viver não está tendo mais suporte? Que novo ecossistema deve emergir?

 

  1. Feedback e Escuta

Na natureza os excessos são aparados através de ciclos de feedback. Essa escuta atenta aos sinais (feedback) desencadeia respostas instintivas quando uma forma já não atende ao suporte à vida. Nossas ideologias e visão de mundo podem nos tornar surdos para feedbacks que não queremos ouvir.  Precisamos ouvir e respeitar o feedback que o contexto nos manda para podermos nos adaptar e evoluir.

Como podemos cultivar nossos órgãos de percepção?  Como silenciar internamente para escutar?

 

  1. Diversidade

Na natureza, a evolução levou a ecologias mais complexas e diversas como as velhas florestas e pradarias. Esses ecossistemas operam por cooperação, generosidade e resiliência. A diversidade cria condições para conduzir a vida para o futuro. Achei interessante ler num texto da Dra. Kathy Allen, sobre Liderança a partir das raízes, que num contínuo, a diversidade é vista desde algo sem importância, passando a uma questão moral, depois  uma ferramenta (pois aumenta a resiliência), até ser vista como algo essencial e enriquecedora.  As lentes são suas para vê-la de uma forma ou outra.

Como escolher ou influenciar a forma de acolher a diversidade?

 

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