A Presença na Liderança Consciente

A Presença na Liderança Consciente

Claudia Miranda Gonçalves

06 de julho de 2022 | 12h56

Por Andréa Nery

Com a rotina corrida e um entorno complexo para a tomada de decisão o desenvolvimento interior tem se mostrado essencial para busca da saúde mental e a continuidade do trabalho em processos transformacionais tão importantes que estão ocorrendo em todos os níveis na sociedade.

Para superar uma crise, em primeiro lugar, temos que descobrir a sabedoria e as respostas que estão dentro de nós, precisamos nos perceber completamente e aceitar o que for que estiver acontecendo em nós.

A crise nos coloca em um modo de operação automático, tira a consciência do contexto e das capacidades e fortalezas disponíveis para busca de soluções criativas e eficientes, limita o poder de atuação.

Já estive em situações de decisões complexas que demandavam uma visão estratégica com uma atuação pontual e específica para a realidade e urgência daquele momento, o que requer um nível de consciência elevado para perceber o caminho que está se apresentando como o mais acertado no momento.

Voltando hoje para estas situações consigo perceber que havia uma qualidade interna de presença que permitia potencializar o conhecimento técnico e combinar razão e intuição para a tomada de decisão e principalmente, transmitir a confiança, equilíbrio e serenidade para as pessoas envolvidas.

A presença é uma qualidade cada vez mais necessária nas lideranças.

O estado de presença é desafiador porque na maior parte do tempo somos expostos a situações que nos convidam a ficar fechados em nossos pensamentos, ausentes, trabalhando em um futuro que ainda não aconteceu e presos em um passado que acabou. Entramos em ambientes com alto nível de stress e reativos, onde existe pouco domínio sob as emoções. Em geral, somos sugados e concentramos nossa energia em um processo de defesa, em ações reativas e no estado de medo.

Por isso, a presença precisa ser cultivada. Cultivar envolve ter confiança na sua existência, realidade e potencial mesmo antes de experimentar, e assumir que seu desenvolvimento e crescimento requer cuidado e dedicação.

Um exercício diário de buscar relaxamento do corpo, respiração profunda, mente clara e coração aberto. Não importa como se cultiva a presença, técnicas diferentes estão disponíveis em diferentes meios; importa que se encontre o caminho que mais se alinhe a quem se é, e pratique. Exige persistência, pois se navegará na direção contrária do que a maioria dos contextos convida.

A presença é um profundo senso de consciência do momento presente – equilíbrio, conexão, completude e satisfação.

Você percebe que só pode ser quem você é, você vive sua essência, não se pergunta porque não é algo diferente e não fica desejando ou tentando ser alguém que não é.

O contexto se torna claro porque somos capazes de ativar todos nossos sentidos: visão, olfato, audição, paladar e tato e, captar informações críticas dentro e fora de nós; perceber as relações invisíveis, presentes e atuantes que provocam padrões indesejados no processo.

Muitos desentendimentos são evitados porque de alguma forma este estado de presença nos dá a inteligência emocional e a sabedoria de como entrar e seguir em um processo de troca e aprendizado, mantendo autocontrole, e adequação necessários para relacionamentos saudáveis.

A presença é a base para navegar por situações dinâmicas e discernir propósito e significância do momento.

A liderança consciente reconhece e integra poder e amor e se pergunta: como cultivar minha presença, como exercer meu poder, como encontrar meu prazer, e, como viver meu propósito.

No estado de presença, consciente, o líder é capaz de influenciar e mudar seu entorno, não se deixará sugar pelas condições e mergulhar nos padrões, e ainda vai acalmar e movimentar aqueles que se aproximam e são impactados pela fala clara, postura serena e energia.

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