Abraçando a Incerteza

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Abraçando a Incerteza

Claudia Miranda Gonçalves

21 de abril de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

E não é que nas conversas virtuais a dificuldade de lidar com as incertezas tem sido tema cada vez mais frequente.

Não se fala somente do cenário político e econômico que a pandemia não permite prever, mas também de quando voltar a se conectar com quem amamos sem colocar em risco a vida.

Ansiedade, medo, paralisia tudo junto e misturado provocando colapsos e reações adversas de todos os lados.

Inseridos em uma situação nova que restringe nossa mobilidade olhamos para vida e pensamos que tudo mudou em um instante. E que tudo está acontecendo tão rápido…

Este rompimento nos colocou em um terreno desconhecido onde a incerteza é a única certeza.

Mas quando será que foi diferente?

Estamos tão focados na pandemia que esquecemos das manifestações do incerto com que sempre convivemos diariamente.

Temos ficado no papel de vítima, dizemos que fomos pegos de surpresa, procuramos culpados e discutimos teorias da conspiração.

A verdade é que na maior parte do tempo a incerteza se apresenta de forma sutil, e provoca ilusão. Uma ilusão que nos conduz a arrogância. A arrogância de acreditar que temos o controle e que seremos capazes de realizar exatamente o que imaginamos.

Aprendemos a ordem, a disciplina e o planejamento como formas de chegar a melhores resultados. Mas há muito tempo, ao invés de usar estas ferramentas como uma oportunidade para navegar de forma fluída, adaptando-se aos contextos, trabalhamos com uma rigidez mecanicista, constantemente gerando explicações e buscando argumentos.

Tememos aceitar a impermanência.

Nosso apego e desejo de estabilidade nos faz esquecer da incrível capacidade que temos de observar, refletir, avaliar e testar.

A mente focada no futuro, drena nossa energia na intenção de prever acontecimentos, e ao pensar nas incertezas olhamos para tudo que é negativo, deixamos o positivo e perdemos a coragem de atuar em um espaço de liberdade, onde aguçamos nossos sentidos.

Esquecemos nossa natureza humana.

Somos criativos, e por isso podemos estar sempre em construção, sem querer nos definir, sem ter certezas e sem nos imaginar como um só, rígido, imutável e pronto.

É crucial para a jornada a nossa frente praticarmos a modéstia e a humildade que permitirá reinventarmos nossa realidade.

Precisamos:

  • Estar atentos à pequenas ações, todos os dias, para perceber e aceitar a incerteza, sem fugir ou tentar resolve-la.
  • Desenvolver um olhar amplo, sistêmico, viver a realidade da teia que nos une, e dos muitos contextos a que estamos sujeitos.
  • Reconhecer que podemos atravessar o caminho juntos, não estamos sozinhos, e usar esta aproximação para lidar com as incertezas.
  • Criar a ponte entre o que somos e as muitas possibilidades do que podemos ser. Nesta ponte estão as maiores oportunidades.

E quando começarmos a pensar em um “novo normal”, quem sabe estaremos preparados para abraçar a incerteza.

Abraçar a incerteza é ser capaz de aceitar a vida, não fugir do que nos é dado, é estar no hoje, e encontrar a beleza nesta magia.

A magia que nos faz acordar todos os dias dispostos a viver a liberdade em sua plenitude, e seguir em frente com a contradição de não poder prever a única coisa certa e capaz de ser prevista: o nosso fim.

Soltar o controle.

Desenhar o propósito no cotidiano.

Não existem fórmulas, não existem regras, não existe caminho único.

Só existimos nós, unidos e únicos, abraçados a este mistério.

E o que pode nos dar medo se estivermos conscientes vivendo no presente?

No aqui e agora lidamos com o que surge, o que está verdadeiramente vivo em nós. Atuamos com compaixão pelo outro e por nós mesmos.

Dançamos no ritmo da música!

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