Anfitriando conversas entre RHs

Anfitriando conversas entre RHs

Claudia Miranda Gonçalves

13 de abril de 2021 | 08h50

Anfitriando conversas entre RHs

Ingredientes:

  • 3 consultoras- facilitadoras
  • 14 profissionais de RH, em sua maioria business partners
  • 1 vontade de abrir um espaço para que todos pudessem sair do piloto automático, e ter humildade e vulnerabilidade de falar dos temas mais sensíveis e urgentes que estavam vivendo 
  • 1 humildade para acertar a receita para genuinamente servir a estes profissionais

 

Preparo:

  • 6 encontros com preparação caprichada
  • 3 sondagens para acertar rumos e dinâmicas
  • 1 deixar ir agendas, interesses (depois de reconhecê-los) 

 

Resultado:

As constantes sondagens nos ajudaram a ajustar ritmo, harmonia e equilíbrio nos encontros.  De nossa parte enquanto facilitadoras, vivemos exatamente as mesmas coisas que os participantes: deixamos ir qualquer expectativa ou agenda, nos abrimos para testar a partir do que o grupo sinalizava (o lugar do não saber, a vulnerabilidade) e por fim, encontramos um lugar muito gostoso para também participarmos, mesmo que das bordas. 

A base bem estruturada – como um bolo de 3 camadas: (1) aquecimento e trocas sobre um tema; (2) aprofundamento e/ou ajudas mútuas e (3) fechamento  – deu liberdade para que o grupo falasse com abertura e honestidade sobre o que vem experimentando, os desafios, as dúvidas. Pode parecer óbvio, mas não!  RH agora está no spotlight. Agora é sua vez de aproveitar para colocar as pessoas e a humanização nos negócios à mesa de reunião. 

A abertura e troca permitiram que os participantes assumissem papéis diferentes a cada momento e a cada encontro. Num momento o participante pôde contar sua experiência, compartilhar e ajudar; em outro, pôde pedir, perguntar, ouvir a experiência de seus pares. O grupo teve um desejo e foi satisfeito em um espaço onde a sabedoria do grupo surgiu, sabedoria que resultou do encontro de conhecimento e experiência.

Então nós, as anfitriãs, nos perguntamos, o que permitiu que o crachá não atrapalhasse ou mesmo limitasse as conversas? Nossas hipóteses são (i) um ambiente de prazer e aprendizagem, em que não precisaram se resguardar; (ii) uma estrutura sólida, mas mínima, para dar sustentação às conversações com ritmo com um início, meio e fim, pois não é simplesmente abrir a uma conversa sem saber onde vai dar; ter a estrutura significou ativar a mente para o assunto,  entrar na troca de experiência, e finalmente refletir dos aprendizados; (iii) e estimulamos conexões mais genuínas, com menos agendas ocultas nas empresas e padrões  a seguir, nos encontros,  toda dica era válida.  

Gostaria de terminar com um ditado chinês inspirador:

Quando dois viajantes se encontram num cruzamento na estrada e trocam 1 kg de arroz um com o outro, cada um sai com 1 kg de arroz. Quando eles se encontram, cada um com 1 ideia e trocam entre si, cada um sai com duas ideias.

Por acreditarmos que essas conversas podem polinizar muitas mentes  criativas, que tal experimentar esta forma de trabalhar?  

 

Esse texto é fruto de uma reflexão entre

Ana Maria Reategui

Claudia M Gonçalves

Melissa Almandoz

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