aprender é sobre o futuro

aprender é sobre o futuro

Claudia Miranda Gonçalves

26 de outubro de 2021 | 09h49

Aprender é a coisa mais importante que fazemos. O aprendizado começa no momento em que nascemos – como usar nosso corpo, comunicar nossas necessidades, criar vínculos com quem nos demonstra amor – e não termina nunca. É o aprendizado que nos impulsiona a crescer: depois da infância, aprendemos novas habilidades, novas formas de ver, novas formas de colaborar. 

Se pudermos aprender de forma constante em todas as fases de nossas carreiras, não seremos apenas melhores, ou mais felizes, ou mais inteligentes. Seremos à prova do futuro.

E aprender tem sempre uma conexão afetiva: daquilo que fica em nós como aprendizado, frequentemente nos lembramos quem nos ensinou algo. Raramente lembramos da lição sem o professor, seja esta positiva ou negativa.  Já ocorreu comigo de alguém dizer que aprendeu algo comigo e eu não lembrar ou não ter a intenção, naquele momento, de  ensinar algo. Mas o que fica é que o aprender-ensinar é sempre um encontro, mesmo que imprevisível.

Ao longo da vida, nossa missão é aprender;  todo o resto flui ou é produto desse aprendizado.  E, uma vez que o aprendizado se dá em relacionamentos e relações, o cuidado é tão importante quanto o conhecimento. Quando estamos nos relacionando e, portanto, no eixo aprender-ensinar, aquilo ou aqueles que cuidamos determinam como usamos nosso conhecimento e habilidades. 

Numa época em que o aprendizado está em crise, com formas obsoletas, talvez até com conteúdos,  me atrevo aqui a compartilhar oito princípios que me ajudam a aprender.

8 princípios para aprender

1- Inclua na rotina. Vá além de participar de um curso ou dois por ano: leia algo durante o café da manhã; convide pessoas inteligentes para almoçar semanalmente; troque o foco daquilo que sabe para aquilo que não sabe. Adote a mente de principiante, ou shoshin, que nos convida a estarmos abertos, com sede de aprender, e mais liberdade ou menos preconceitos. Abra-se para sair de seus hábitos: leia e assista coisas que não assistiria ou fora de sua área de atuação.

2-  Permita que as novidades se assentem. As coisas novas precisam de tempo e silêncio para tomar forma em nosso entendimento. É preciso decantar.

3- Brinque. Para adultos isso também é importante. Além de terapêutico e desestressante, brincar ativa inovação e engajamento. 

4- Busque o maravilhamento. Experiências com carga emocional são mais memoráveis porque nossos cérebros mantêm informação associada com carga emocional. O maravilhamento é especialmente poderoso quando combinado com o brincar e descansar. Seja numa caminhada contemplativa, olhando as estrelas, ou qualquer coisa que cause o maravilhamento, essa experiência desperta nossa felicidade e esperança, ingredientes que ajudam no aprendizado.

5- Ensine. Ensinar é a melhor forma de aprender. O ato de pegar algo que julgamos conhecer e articular para outras pessoas reforça o que já aprendemos, ajuda a manter as coisas simples, e expõe lacunas das quais não tínhamos consciência. 

6- Seja generalista. Aprenda de todas experiências e lugares, fique aberto e incorpore as novidades. 

7- Busque autoconhecimento. Aprenda consigo mesmo: experimente coisas novas, cometa erros, tente novamente, descubra coisas. O resultado sempre será sua autotransformação: novas compreensões mudam a estrutura da sua mente, que, aos poucos, muda o que torna você você. 

8- Seja menos orientado a resultados. Aprender não é uma jornada, mas sim uma dança.

E aí eu te pergunto:

  1. Você sabe?
  1. Já disse ou pensou, “ Estou muito velh@ para  ____”?
  1. Quem mais te ensinou nos últimos 2 anos?
  1. E nos últimos 10?
  1. Eles sabem disso?
  1. Seria bom eles saberem?
  1. Quem ou o que inesperadamente foi um professor ?
  1. Quando foi a última vez que você se maravilhou?

 

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