As bases para uma organização que aprende

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As bases para uma organização que aprende

Claudia Miranda Gonçalves

04 de agosto de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Em recente publicação aqui no blog falei sobre a liderança das equipes que aprendem. Este tema adquiriu mais importância no contexto onde as interações de forma remota se intensificaram, onde o olho no olho se dá em uma tela e não em um bate papo no café.

Estas equipes precisam de espaços de aprendizagem coletivo com escuta generativa para o desenvolvimento da segurança psicológica.

Falei sobre o líder, e sabemos que ele tem um papel essencial neste processo, só que precisamos falar sobre outros aspectos tão importantes quanto, e reconhecer que não cabe só a ele o desenvolvimento de uma organização que aprende.

O líder atua em um contexto complexo e é influenciado pela cultura organizacional, assim como a influencia.

A formação de uma cultura de aprendizagem requer bases sólidas para sustenta-la em tempos de tantas incertezas, na verdade tudo funciona como uma grande teia onde todos os pontos têm relevância e o movimento de um provoca o movimento de todos na busca de novo equilíbrio.

A estrutura organizacional tem que ser focada em abundância e não em escassez. Com este foco as habilidades e talentos de cada um são reconhecidos e apreciados favorecendo um ambiente de suporte mútuo e pedido de ajuda, o acolhimento da diversidade de ideias surge naturalmente para lidar com os problemas de frente, reagindo rapidamente às falhas e levando o time a assumir riscos conjuntos.

Em todas instituições em que atuei o trabalho de mapeamento de habilidades dos times estava presente, porém na maioria o foco estava em desenvolver nos indivíduos as habilidades que não eram seu ponto forte…

A diferença foi significativa quando liderei um time que foi estimulado a compartilhar e fortalecer suas habilidades e coloca-las a serviço dos projetos.

Os hábitos do dia a dia do trabalho também fazem parte da base de sustentação, eles representam a forma como os indivíduos se conectam, a qualidade da energia que é colocada para se estar junto.

As pessoas precisam criar vínculos autênticos e isso envolve os mais variados elementos.

Eles são os fios que conectam os nós de uma teia, se estiverem frágeis são rompidos facilmente, provocam instabilidade constante e precisam ser reconstruídos, isso promove um gasto pouco eficiente da energia.

A qualidade das trocas realizadas também constitui base de sustentação, pois através delas é que são construídas a confiança, respeito e empatia.

Os novos modelos de interação online transformaram os resultados das reuniões, mas as organizações ainda precisam cuidar para promover espaços de diálogos onde exista a abertura para uma fala verdadeira em que cada um possa para ser quem é.

É o meio em que as trocas acontecem que fortalece as conexões, como na teia que é produzida através de substância líquida interna, e que se torna sólida e resistente ao entrar em contato com o ar.

A volatilidade, incerteza e complexidade do entorno trazem ainda outro ponto relevante: a prática.

Usar as oportunidades de interação para experimentar, praticar consistentemente, e se adaptar as condições que vão surgindo, dará a musculatura necessária para momentos em que as ações são urgentes e radicalmente diferentes.

A postura da liderança não pode ser tóxica e agressiva, precisa ser inclusiva, ter uma fala clara e transparente: as equipes precisam ver nos lideres uma coerência do que fazem com o que falam.

O desenvolvimento da segurança psicológica ocorre através de um processo sistêmico de fortalecimento destas bases, não se trata de trabalhar uma delas, mas de coloca-las em equilíbrio.

E cada um tem um papel neste sistema, e pode ser um agente ativo desta transformação.

O que você pode fazer hoje para fazer parte desta organização?

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